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Ato em SP se transforma em ‘noivado’ de Alckmin com Centrão

Líderes partidários falam em consultas regionais antes da oficialização da aliança, mas clima era de celebração pelo acordo com o tucano

Por Guilherme Venaglia 20 jul 2018, 18h50

O ato de oficialização da escolha do deputado Rodrigo Garcia (DEM) como o candidato a vice-governador na chapa do ex-prefeito João Doria (PSDB) ao governo de São Paulo na eleição deste ano ganhou um caráter de celebração pública da provável aliança entre o PSDB e o chamado Centrão na disputa presidencial. Apesar da cautela, uma vez que ainda existem questões regionais a serem definidas, o clima era de “intenção indisfarçável de consolidar essa aliança”, conforme as palavras do prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional de um dos principais partidos do bloco, o DEM.

Fora da lista de presentes divulgada pela assessoria de Doria, o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) apareceu no evento, em um hotel em São Paulo, e deu ainda mais o caráter de “noivado” de seu acordo com o Centrão. Em seu discurso, o ex-governador paulista disse que vai “trabalhar muito por essa aliança” porque “o Brasil precisa desse esforço de conciliação”.

Além do DEM, marcaram presença no local o presidente nacional do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira, e o presidente estadual do PP, o deputado Guilherme Mussi. Em São Paulo, os outros dois partidos do bloco, o PR e o Solidariedade, fecharam aliança pela reeleição do governador Márcio França (PSB).

Marcos Pereira afirmou que está clara a posição do PRB por Alckmin e que o Centrão “está mais perto do que ontem” de oficializar o anúncio do acordo. Questionado sobre o que falta para um anúncio oficial, ACM Neto diz que este é o momento de “consultas internas nesses partidos”.

“Temos tido conversas produtivas e promissoras com o governador Geraldo Alckmin. A partir de agora, serão feitas consultas internas nesses partidos e, se tudo der certo, tenho certeza que, mais uma vez, São Paulo será decisivo para o Brasil”, afirmou o presidente do DEM, que completou ressaltando o “espírito público” do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que era pré-candidato à Presidência da República, em abrir espaço para acordo com outras pré-candidaturas. Postulante da sigla, Maia já ensaia a desistência há semanas, com a intenção de formalizá-la apenas no momento em que o partido tiver posição oficial sobre a disputa.

  • ‘Casamento’

    O prefeito de Salvador também deu prazo para o provável “casamento”: quinta-feira, dia 26, pela manhã, os cinco partidos farão um ato em Brasília e anunciarão a sua posição oficial sobre as eleições de 2018. Enquanto isso, o empresário mineiro Josué Gomes (PR), indicado pelo grupo para ser o vice-presidente do tucano, divulgou nota em que “agradece a confiança” em seu nome e na qual promete, em seu retorno de uma viagem ao exterior, tomar uma decisão sobre o posto.

    Questionado sobre o nome do mineiro, Alckmin disse ser “natural que o conjunto de partidos, pela força que tem, indique o nome” e que a sua “opinião pessoal [sobre Josué] é a melhor possível”. Ele ainda disse ter tido uma boa relação com o pai de Josué, José Alencar, que foi duas vezes vice-presidente no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Ele me disse que eu deveria usar Alckmín, porque, em Minas Gerais, é palavra oxítona que ganha eleição”, brincou.

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