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Alckmin quer liberar vacina da dengue em fase de teste

Intenção é motivada pela alta incidência da doença no Estado de São Paulo. Em menos de três meses, já são 67 mortes. Em todo o ano passado, foram 90

Por Da Redação 21 mar 2015, 10h18

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quer que o Instituto Butantã antecipe a produção em escala da vacina contra a dengue. Alckmin afirmou nesta semana que pedirá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização especial para usar a vacina que ainda está em fase de testes, levando em conta a alta incidência da doença no Estado.

Em menos de três meses, são 67 mortes por complicações da doença neste ano no Estado. Em todo o ano passado, foram 90. Nesta sexta-feira, o Instituto Adolfo Lutz confirmou a terceira morte por dengue na capital paulista. A vítima é um homem de 35 anos, morador do bairro Pedreira, na zona sul.

De janeiro até 12 de março, a cidade de São Paulo contabilizou 2.339 casos confirmados de dengue, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde. O orgão informou ainda que 66% dos mais de 56.000 casos confirmados no Estado neste ano estão concentrados em apenas trinta dos 645 municípios paulistas.

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Trâmite – Em condições normais, seguindo todos os protocolos de biossegurança, a vacina só estaria pronta para ser usada na população no início de 2018. De acordo com o instituto, os testes em voluntários foram iniciados em 2013, com autorização da Anvisa.

Atualmente, é realizada a segunda fase dos testes, envolvendo 300 voluntários que são atendidos pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. Cerca de 160 já receberam a vacina e outros 140 estão sendo recrutados. Essa fase deve terminar em 60 dias. Nela, é avaliada a segurança e a imunogenicidade da vacina.

Falta ainda a terceira etapa, com voluntários de todas as regiões do Brasil e de diferentes faixas etárias. Nessa fase, os testes, que foram iniciados em 2013 e, em condições normais, deveriam se estender até 2018, avaliam a eficácia da vacina. O Butantã informou que o período de cinco anos é necessário para verificar anualmente a resposta imunológica dos participantes.

Fabricantes – O imunizante é desenvolvido em parceria com o National Institutes of Health, dos Estados Unidos. A vacina americana, similar à brasileira, foi testada naquele país e ficou demonstrado que é segura, apresentando “poucos eventos adversos”, segundo o instituto.

Existe outra vacina no mercado, da francesa Sanofi. A empresa divulgou, em novembro de 2014, resultados de testes realizados com mais de 20 mil crianças e adolescentes da América Latina, inclusive do Brasil, segundo os quais foi capaz de prevenir, em média, 61% dos casos comuns de dengue e 95,5% dos casos graves. A empresa deve enviar os documentos para registro na Anvisa ainda neste semestre. A previsão é de que essa vacina possa ser usada na população no início de 2016.

A direção do Butantã não se pronunciou sobre a antecipação do uso da vacina. Em nota, a Anvisa informou que não recebeu pedido de registro até a última sexta-feira.

(Com Estadão Conteúdo)

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