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Trump critica tarifas elevadas de importação do Brasil

"Eles nos cobram o que querem", reclamou o presidente após anúncio de tratado com o Canadá

Por Da Redação 1 out 2018, 14h19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Brasil nesta segunda-feira (1) por cobrar altas tarifas de importação de produtos americanos. O republicano fez as declarações durante entrevista à imprensa sobre os novos termos do tratado comercial de seu país com o Canadá.

Americanos e canadenses acertaram o novo pacto, que receberá o nome Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), na noite de domingo (30).

Durante a entrevista sobre o novo acordo, Trump foi perguntado sobre a possível diminuição de tarifas para os produtos indianos importados pelos Estados Unidos. A resposta veio com uma pesada crítica do presidente americano às elevadas tarifas aplicadas na outra mão do comércio. Imediatamente, ele aproveitou para queixar-se do nível de proteção tarifária brasileiro.

“A Índia cobra tarifas tremendas de nós quando enviamos motos, Harley Davidson, e outras coisas”, afirmou. “O Brasil é outro. Eles nos cobram o que querem. Se perguntarmos para algumas companhias, elas dirão que o Brasil está entre os mais duros do mundo”, completou.

O Brasil, de fato, é apontado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) como um dos países com estrutura tarifária mais elevada do mundo. Os percentuais aplicados pelo país são aqueles definidos em conjunto com os seus sócios do Mercosul, na Tarifa Externa Comum (TEC).

Sobre o valor do produto somado à tarifa de importação, porém, são aplicados em cascata outros tributos, entre os quais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

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Profissionais

Em seu pronunciamento, Trump elogiou o acordo comercial com o Canadá e o México, que atualiza e dá novo nome ao Nafta, aplicado desde 1994, e afirmou que o novo pacto “é uma notícia histórica para nossa nação e para o mundo”.

O presidente americano surpreendeu por elogiar o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, apenas quatro meses depois de tê-lo chamado de “desonesto” e “fraco” em uma nota do Twitter por causa de seus apelos para que os Estados Unidos desistissem da adoção de tarifas adicionais à importação de aço e alumínio.

“Ele é um profissional, eu sou um profissional. Tivemos tensões muito fortes”, afirmou desta vez Trump, sem esquecer do auto-elogio.

Conforme nota publicada pela Casa Branca, o acordo altera as regras de origem no setor automotivo, cujos produtos somente poderão se valer do livre comércio se tiverem 75% de conteúdo regional. O Canadá também reduziu sua proteção contra o ingresso de lácteos, ovos e carne de frango dos Estados Unidos e aceitou o direito de propriedade intelectual de 10 anos para novos medicamentos desenvolvidos pelo país vizinho.

Segundo Trump, o acordo levará milhares de empregos de volta aos Estados Unidos. Acrescentou que dois principais parceiros comerciais do país concordaram com regras mais estritas sobre trabalho e meio ambiente.

“Essas medidas darão apoio a muitos  centenas de milhares  de empregos americanos”, disse ele, na Casa Branca.

Trump igualmente se mostrou otimista de que o novo pacto será aprovado pelo Congresso americano, de maioria republicana.

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