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Canadá e EUA chegam a acordo para substituir Nafta

Espera-se que o maior impacto seja na indústria de automóveis; tarifas americanas ao aço e alumínio canadense permanecem em vigor

Por Da Redação Atualizado em 1 out 2018, 10h59 - Publicado em 1 out 2018, 10h06

Negociadores canadenses e americanos chegaram a um acordo para substituir o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). O acerto aconteceu na noite de domingo, a poucas horas do fim do prazo limite.

O novo tratado receberá o nome Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), segundo informou uma declaração conjunta dos países.

A nova versão do Nafta, em vigor desde 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México, começou a ser renegociada em 2017 por exigência do presidente americano, Donald Trump, que considerava o pacto um “desastre” para seu país.

O comunicado, assinado pelo representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e pela ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, destaca que o novo acordo entre os países da América do Norte vai gerar um “crescimento econômico sólido”.

Depois de mais de um ano de negociações, os governos conseguiram superar as divergências e ceder em alguns aspectos. No comunicado, celebram o acordo com um como algo positivo para os cidadãos da região, onde vivem quase 500 milhões de pessoas e que movimenta um trilhão de dólares por ano em comércio.

Espera-se que o acordo atinja com mais força a indústria de automóveis. A partir de agora, uma porção maior dos veículos comercializados nos três países deverá ser produzida na América do Norte.

Além disso, o pacto exige que quase metade do conteúdo regional seja fabricado por trabalhadores que ganhem pelo menos 16 dólares por hora. Atualmente, algumas fábricas do México chegam a pagar 2 dólares por hora aos seus funcionários. 

Trump usou sua conta no Twitter nesta manhã para celebrar o entendimento. Segundo o presidente, o pacto é “histórico” e “maravilhoso”.

Para Trump, o acordo é positivo para os três países e resolve deficiências do Nafta. A iniciativa reformada abre mercados para fazendeiros e indústrias, reduz barreiras tarifárias para os EUA e aproxima os países “em competição com o restante do mundo”. “O USMCA é uma transação histórica”, afirmou o presidente.

“Parabéns ao México e ao Canadá”, comemorou.

O acordo

Para concluir o acordo, o Canadá cedeu no sistema de cotas para o leite, o que abrirá seu mercado aos produtores americanos. Ottawa, porém, conseguiu preservar o sistema do Nafta de solução de conflitos entre os sócios, que Washington desejava modificar.

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Desta forma, os Estados membros do pacto poderão contestar as restrições comerciais impostas pelos outros nos tribunais especiais do Nafta.

O novo pacto também incluirá um capítulo ambiental e, como parte do acordo, o Canadá poderá conservar a proteção aos seus setores cultural e automotivo.

“O USMCA proporcionará a nossos trabalhadores, agricultores, fazendeiros e empresas um acordo comercial de alta qualidade que dará como resultado mercados mais livres, comércio mais justo”, afirmaram os governos americano e canadense no comunicado conjunto, publicado 90 minutos antes do fim do prazo limite fixado pelos Estados Unidos.

O novo acordo também estabelece, pela primeira vez, regras para serviços financeiros e negócios digitais que surgiram desde que o Nafta foi criado, de forma a atender os interesses de vários setores – de empresas farmacêuticas aos mercados financeiros.

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau saiu às pressas de uma reunião em caráter de urgência com seus ministros no domingo e declarou apenas que “é um bom dia para o Canadá”.

Para o Canadá a pressão era grande, pois Estados Unidos e México já haviam concluído um acordo. O tempo era o principal obstáculo, já que o atual presidente mexicano Enrique Peña Nieto deixará o cargo no dia 1 de dezembro.

As negociações aconteceram de forma remota, ao contrário de outras rodadas de diálogo, quando a chanceler canadense viajou a Washington.

O anúncio veio após um final de semana inteiro de trabalho por videoconferência dos negociadores para alcançar o acordo de última hora

Aço e alumínio

O calendário eleitoral complicava as coisas para os negociadores canadenses. As concessões no setor de laticínios podem ser mal recebidas em Quebec, que vota nesta segunda-feira para definir o próximo governador da província francófona.

Os principais partidos de Quebec e as organizações de agricultores defendem o sistema de “administração da oferta”, que controlava a produção e o preço do leite e das aves de curral, além de garantir um faturamento estável para os agricultores canadenses.

As pesadas tarifas impostas por Trump ao aço e alumínio canadense, entre outras, permanecem em vigor no momento, em um contexto no qual o governo dos Estados Unidos realiza uma campanha protecionista que afeta vários países.

O texto final inclui uma cláusula que permite revisar o acordo a cada seis anos, de acordo com uma fonte americana.

(Com AFP, Estadão Conteúdo e EFE)

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