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Tribunal confirma impeachment de presidente da Coreia do Sul

Park Geun-hye foi retirada do cargo por escândalo de corrupção. Protestos de seus apoiadores deixaram dois mortos em Seul

Por Da redação - Atualizado em 10 mar 2017, 09h06 - Publicado em 10 mar 2017, 08h51

A Corte Constitucional da Coreia do Sul confirmou o impeachment da presidente Park Geun-hye e a removeu em definitivo do cargo nesta sexta-feira. Park estava afastada desde dezembro, quando sua saída foi votada pelo Parlamento, por seu papel no escândalo de corrupção da “Rasputina coreana”.

O veredito provocou protestos de centenas de apoiadores da presidente e dois manifestantes foram mortos em confrontos com a polícia, do lado de fora do tribunal, em Seul. Park é a primeira líder democraticamente eleita da Coreia do Sul a ser removida do cargo, em um processo que provocou meses de paralisia e crise no país devido a um escândalo que também resultou na prisão do chefe do conglomerado Samsung.

Com o impeachment confirmado pela Justiça, Park perde a imunidade garantida a ela como líder do país, podendo ser acusada, interrogada e presa por seu envolvimento no caso. Uma eleição presidencial antecipada será realizada dentro de 60 dias. Park não compareceu ao tribunal e um porta-voz disse que ela não fará comentários nem deve deixar a residência presidencial, a Casa Azul, nesta sexta-feira.

O primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn, que atua como presidente em exercício, pediu calma aos sul-coreanos e disse que o governo deve permanecer estável para evitar que conflitos internos se espalhem. Park, de 65 anos, nega veementemente qualquer irregularidade e sua participação nos crimes de corrupção, extorsão e abuso de poder, envolvendo sua amiga próxima, Choi Soon-sil.

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Protestos

Pelo menos duas pessoas morreram nesta sexta-feira enquanto participavam das manifestações em Seul, segundo informações da polícia para a agência de notícias Yonhap. Os mortos são um idoso de 72 anos, que faleceu a caminho ao hospital por causa de ferimentos na cabeça, e um homem de 60 anos, ambos encontrados inconscientes em frente ao Tribunal Constitucional. A polícia confirma que há outros dois feridos, enquanto os organizadores da manifestação pró-Park dizem que pelo menos oito manifestantes sofreram lesões. Mais de 21,6 mil agentes isolam a máxima instância judicial sul-coreana, a Casa Azul e outros edifícios governamentais da capital por causa de manifestações contrárias e favoráveis a Park convocadas para hoje.

Escândalo

Park, que chegou à Presidência em 2013, foi apontada como cúmplice de Choi Soon-sil, sua amiga de infância. Ela teria interferido em assuntos de Estado sem possuir cargo público, além de ter pressionado empresas para obter numerosas somas de dinheiro, das quais se apropriou parcialmente. O assassinato da mãe de Park nas mãos de um seguidor do regime norte-coreano, em 1974, a forçou a assumir o papel de primeira-dama quando tinha 22 anos. Foi então que começou sua relação com a agora conhecida como “Rasputina” e o pai dela, Choi Tae-min, líder de uma seita religiosa que se declarava mensageiro de sua falecida mãe.

(Com Reuters e EFE)

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