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Talibã promete sabotar eleições afegãs com ataques

'Usem todas as forças à sua disposição para impedir a farsa', determinou o grupo terroristas aos combatentes islâmicos em comunicado na internet

Por Da Redação - 10 mar 2014, 06h10

Os talibãs afegãos fizeram um comunicado nesta segunda-feira anunciando que vão sabotar as eleições presidenciais do Afeganistão programadas para 5 de abril com ataques a locais de votação, às forças de segurança e aos trabalhadores da eleição. “Demos ordens a nossos mujahedins (comabtentes islâmicos) para que usem todas as forças à sua disposição para impedir a farsa das próximas eleições e que ataquem todos os trabalhadores, ativistas, membros de segurança e escritórios”, de acordo com a nota publicada no site dos insurgentes.

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“Pedimos a nossos compatriotas que se mantenham longe dos locais de votação, das urnas, dos comícios e da campanha, para evitar que suas vidas estejam em perigo”, acrescenta comunicado. Os talibãs ainda afirmaram que as eleições “já foram realizadas nos escritórios da CIA, onde seu candidato favorito já ganhou”, sem identificá-lo.

Eles acham que os Estados Unidos colocarão na cabeça do governo alguém que “parecerá afegão, mas terá mentalidade, visão, credo e ideais americanos, em conflito com as sagradas doutrinas do islã”. Por isso, os talibãs afirmam que “é uma obrigação religiosa para cada afegão impedir o último complô dos invasores”.

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As eleições presidenciais serão marcadas pela retirada das tropas da Otan no final deste ano e a saída do atual presidente Hamid Karzai, após completar dois mandatos. A campanha começou em 2 de fevereiro com fortes medidas de segurança e em cidades como Cabul o número de policiais e soldados dobrou. Contínuas revistas de veículos têm sido realizadas para evitar atentados.

Candidatos – A Comissão Independente Eleitoral do Afeganistão aprovou a candidatura de apenas 10 dos 27 políticos que se inscreveram para disputar a Presidência do país. Um dos aprovados é o empresário Qayum Karzai, irmão do atual presidente, que foi duramente criticado por praticamente não ter comparecido a sessões do Parlamento durante o mandato que exerceu como político. Segundo a rede Al Jazeera, contudo, Qayum não terá o apoio do irmão: o candidato de Hamid Karzai deve ser Zalmai Rassoul, seu ex-chanceler. Rassoul também ganha força com seu candidato a vice, Ahmad Zia Massoud, que já foi vice-presidente durante o primeiro mandato de Karzai. Outro forte candidato é Abdullah Abdullah, que também foi chanceler de Karzai e seu oponente no segundo turno das eleições de 2009.

Um outro ex-colaborador de Karzai aprovado pela comissão eleitoral é o ex-ministro de Finanças Ashraf Ghani. Com a reputação de tecnocrata, Ghani terá por vice uma figura controversa, o general Abdul Rashid Dostum, acusado de ordenar estupros durante a década de 1990 e sufocar 2 000 prisioneiros do Talibã dentro de contêineres.

Entre os demais nomes aprovados pela comissão eleitoral está o de Abdul Rasul Sayyaf, que, segundo a rede BBC, convidou o terrorista Osama Bin Laden para visitar o Afeganistão em 1996 e foi descrito pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos como o mentor de Khaled Sheikh Mohammed, que orquestrou o ataque de 11 de setembro.

Entre os nomes rejeitados estão Khadija Ghaznawi, a única postulante mulher, proveniente de uma região com forte presença do grupo fundamentalista Talibã, e Hashmat Ghani Ahmadzai, representante de uma comunidade nômade afegã, que adversários acusam de possuir cidadania americana, o que impediria sua candidatura.

(Com agência EFE)

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