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Sky News, subsidiária da BSkyB, admite que invadiu e-mails

Emissora diz que grampos são justificáveis em casos de 'interesse público'

Por Da Redação - 5 abr 2012, 12h39

A emissora Sky News, subsidiária da operadora britânica de TV por assinatura BSkyB, de Rupert Murdoch, admitiu nesta quinta-feira que um de seus principais executivos autorizou um jornalista a invadir e-mails em pelo menos duas ocasiões. John Ryley, chefe da emissora, não se mostrou constrangido com a revelação – e ainda disse que a prática era “justificável em casos de interesse público”.

Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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Gerard Tubb, correspondente da Sky News no norte da Grã-Bretanha, acessou e-mails de John Darwin, acusado de ter fingido sua própria morte em 2008 para que sua mulher recebesse o pagamento de seu seguro de vida. O repórter reuniu informações necessárias para vencer a defesa da mulher de Darwin durante o julgamento, o que não foi necessário depois que ele se declarou culpado.

O mesmo jornalista acessou os e-mails de um suspeito de pedofilia e sua mulher em uma investigação que não levou a qualquer reportagem, segundo um comunicado enviado ao jornal britânico The Guardian pela Sky, que também faz parte do conglomerado midiático de Murdoch, a News Corp. Os dois grampos foram autorizados por Simon Cole, editor da Sky News.

A emissora disse que defende Tubb e que, em alguns casos, a violação das leis é justificada para produzir uma reportagem de interesse público. De acordo com as leis britânicas, a interceptação de e-mails é ilegal, mas não há referência para “casos de interesse público”.

Escândalo – O caso é especialmente controverso na Grã-Bretanha porque a controladora da emissora, a BSkyB, de Murdoch, está sob investigação da polícia após o escândalo dos grampos telefônicos do tabloide News of The World, envolvendo celebridades, soldados e até uma adolescente sequestrada.

O foco da investigação, porém, está em James Murdoch, filho do magnata Rupert, que na quarta-feira renunciou ao cargo de presidente da companhia. Quando compareceu à Justiça, James Murdoch admitiu que havia evidências suficientes de que as escutas ilegais eram uma prática comum no tabloide News of the World, mas insistiu que não foi informado em nenhum momento sobre o fato.

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