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Síria: Ocidente e Rússia se enfrentam no Conselho de Segurança da ONU

Por Por Andre Viollaz - 31 jan 2012, 16h52

O Conselho de Segurança da ONU se preparava nesta terça-feira para um embate em torno da situação na Síria, com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderando a pressão das potências ocidentais sobre a Rússia, para que apoie uma iniciativa para deter a violência naquele país.

A oposição síria exortou a comunidade internacional a agir contra os “massacres” e convocou um dia de luto e ira, depois de uma nova onda de violência, com epicentro na região de Homs que deixou nesta segunda-feira quase 100 mortos.

Hillary Clinton, a direção da Liga Árabe e os ministros das Relações Exteriores britânico e francês confirmaram presença na reunião do Conselho de Segurança, prevista para as 15H00 locais (20H00 GMT) em Nova York, na qual vão tentar aprovar uma resolução contra o regime sírio.

Um projeto de texto ao qual a AFP teve acesso nesta terça exige que o presidente sírio Bashar al-Assad entregue o poder para a formação de um governo de unidade que promova “eleições transparentes e livres” e ressalta que não haverá intervenção externa.

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Mas a Rússia, aliada de Damasco com direito de veto nessa organização da ONU, reiterou sua oposição.

“Não acredito que a política da Rússia seja exigir às pessoas que cedam o poder. Mudar regimes não é nossa tarefa”, disse o chanceler russo Sergei Lavrov.

Segundo seu vice-ministro russo de Relações Exteriores, Guennadi Gatilov, a iniciativa poderia “desobstruir o caminho para uma guerra civil”.

O regime de Assad, que se vangloria de contar com o apoio do povo para dominar a revolta popular, aumentou a repressão, para tentar asfixiar rapidamente os opositores, numa aparente tentativa de aproveitar o apoio da Rússia e as divisões nas Nações Unidas.

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Em viagem ao Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou que a violência na Síria é uma “ameaça à paz” e disse esperar que a reunião de Nova York dê “logo frutos”.

Hillary Clinton afirmou que “o Conselho de Segurança deve agir e deixar claro ao regime sírio que a comunidade internacional percebe suas ações como ameaça à paz e à segurança”.

“É tempo de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU assumirem suas responsabilidades em vez de proteger os que têm sangue em suas mãos”, disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, citando informes segundo os quais mais de 400 crianças morreram na Síria, vítimas da repressão.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores sírio denunciou que “os agressivos comunicados americanos e ocidentais contra a Síria aumentavam de maneira escandalosa”, culpando novamente “grupos terroristas armados” pela violência.

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Rússia e China – que acusaram os países ocidentais de abusar dos mandatos da ONU em sua intervenção na Líbia – vetaram em outubro um rascunho de resolução de condenação ao governo sírio.

A Rússia, que possui vínculos de longa data com a Síria e é o mais importante fornecedor de armas ao regime de Assad, quer incentivar os “contatos informais”, em Moscou, entre o regime de Assad e a oposição.

Os novos episódios de violência, que incluíram a morte de 55 civis e 41 militares e dissidentes, segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH, com sede em Londres), transformaram a segunda-feira num dos dias mais sangrentos desde março, quando começaram as manifestações contra o regime de Damasco.

Nesta terça-feira, pelo menos 22 pessoas morreram, quase todas elas civis, indicou o Observatório.

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De acordo com o Exército Livre da Síria, “50% do território sírio já não está sob controle do governo”.

O chefe das agências de inteligência americanas, James Clapper, indicou que Assad cairá inevitavelmente diante de protestos massivos.

“Não vejo como pode manter seu governo na Síria”, disse Clapper em uma audiência com senadores.

Grupos de direitos humanos disseram que 5.400 pessoas já morreram na Síria vítimas da tentativa de Assad de esmagar a última das rebeliões do mundo árabe, depois da queda dos regimes autoritários de Egito, Tunísia e Líbia.

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Ante “os selvagens massacres de civis, entre eles mulheres e crianças”, o mais importante grupo da oposição, o Conselho Nacional Sírio (CNS), disse que coordenará sua ação com os militantes que lideram o levante para realizar “uma jornada de luto e de ira” no país.

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