‘Será uma honra receber Evo Morales’: Fernández promete asilo na Argentina

O atual governo, de Mauricio Macri, ainda não se pronunciou sobre a legitimidade das novas autoridades bolivianas

Por Da Redação - 14 nov 2019, 18h02

O recém-eleito presidente da Argentina, Alberto Fernández, afirmou nesta quinta-feira, 14, que o ex-presidente boliviano Evo Morales poderá se asilar em seu país após sua posse no dia 10 de dezembro.

“Se eu fosse presidente neste momento lhes teria oferecido asilo desde o primeiro dia. A Argentina é sua casa, por isso os receberei com gosto”, disse Fernández durante coletiva de imprensa no Uruguai, referindo-se também ao ex-vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, que renunciou junto com Morales.

O governo de Mauricio Macri, atual mandatário argentino, ainda não se pronunciou sobre a legitimidade das novas autoridades bolivianas. Nesta terça-feira 12, a presidente interina da Assembleia Legislativa da Bolívia, Jeanine Áñez, se declarou presidente do país.

Atualmente, Morales se encontra no México, cujo governo lhe ofereceu asilo político. O líder indígena renunciou no domingo sob pressão, e em meio a enfrentamentos entre simpatizantes e opositores, na esteira da publicação de um relatório que denunciou uma fraude nas eleições presidenciais.

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Nesta quinta, La Paz amanheceu pelo segundo dia quase em completa normalidade, após protestos violentos no início da semana, que começaram com a renúncia de Evo. Parte considerável do transporte público funciona normalmente, mas as universidades estão fechadas e o acesso à sede do governo está bloqueado por barricadas da polícia.

Áñez, que diz estar em uma missão para pacificar o país, anunciou que apresentará uma reclamação diplomática ao México por permitir atos políticos de Morales, e pede pela “ruptura desse protocolo” de asilo político.

À beira do caos

Enquanto isso, no Brasil, durante coletiva de imprensa na cúpula dos Brics, Vladimir Putin disse que a Bolívia está “à beira do caos”. Também afirmou esperar que quem assumir o poder na Bolívia mantenha a cooperação com Moscou.

Também nesta quinta, o governo da Rússia reconheceu a presidência interina de Áñez, ainda que mantenha o posicionamento de que as ações que levaram à renúncia de Evo Morales equivaleram a um golpe de Estado.

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