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Sem especialização, cubanos são preteridos em Havana

Sem mão de obra preparada para certas tarefas, é preciso trazer operários do exterior

Por Duda Teixeira, de Havana - Atualizado em 1 dez 2016, 15h16 - Publicado em 1 dez 2016, 15h13

Um dos pontos centrais da propaganda do Partido Comunista de Cuba é a educação. Porém, não há no país cursos de aprimoramento para aquelas profissões braçais que agora ficaram mais complexas.

Para restaurar o prédio onde será o hotel de luxo Manzana, a empresa francesa Bouygues teve de levar para Cuba operários da Índia. São eles que dirigem o enorme guindaste e refazem a fachada.

Com o salário de um único indiano, cerca de 1500 euros, seria possível contratar 75 cubanos através das agências estatais (em Cuba, todo investidor estrangeiro é obrigado a recrutar mão-de-obra pelo Estado). Mas não há no país gente preparada para desempenhar as tarefas.

Para evitar críticas, uma cerca de metal de 3 metros foi erguida ao redor de todo o edifício. Os trabalhadores moram em um mesmo lugar e se locomovem em um ônibus especial. Um guarda cuida do portão para evitar fotos.

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O sistema empregado no Manzana é um exemplo das medidas que tem tomado Raúl Castro. O ditador concentrou os negócios maiores e mais lucrativos com as Forças Armadas, que canalizam os investimentos de fora, principalmente da França. A empreiteira é a UCM, União de Construções Militares. A incorporadora é a Gaviota, comandada pelo genro de Raúl Castro. “Todas as obras de restauração do centro histórico de Havana estão com os militares”, diz o historiador cubano Boris González Arenas.

Fachada do hotel Manzana, em Havana
O hotel Manzana, em Havana, que ficará pronto no ano que vem Duda Teixeira
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