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Rússia diz que guerra na Ucrânia se transformou em confronto amplo com o Ocidente

Invasão da Rússia à Ucrânia completou quatro anos nesta terça-feira

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 fev 2026, 10h46 • Atualizado em 24 fev 2026, 17h11
  • O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira, 24, que a decisão de países do Ocidente de intervir no conflito na Ucrânia transformou o cenário em um confronto muito mais amplo com nações que a Rússia acredita quererem destruí-la.

    “Após a intervenção direta neste conflito por parte dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, a operação militar especial transformou-se, de fato, em um confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que tinham e continuam a ter o objetivo de destruir o nosso país”, disse Peskov, na marca da quatro anos da invasão da Rússia ao país vizinho, por ordem do presidente Vladimir Putin.

    + Quatro anos de guerra na Ucrânia: o impasse que transformou a Europa, ceifou vidas e redesenhou a geopolítica

    Questionado se Moscou acreditava que o conflito poderia ser resolvido por meio de negociações, Peskov disse: “Continuamos nossos esforços para alcançar a paz, nossa posição é muito clara e consistente. Agora, tudo depende das ações do regime de Kiev“.

    O porta-voz afirmou ainda não poder dizer quando e onde a próxima rodada de negociações com a Ucrânia ocorreria, pois ainda não havia sido finalizada.

    Negociações diplomáticas

    Representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se encontraram na semana passada para novas negociações em Genebra, local escolhido como sede em uma tentativa de envolver mais diretamente atores europeus na retomada de diálogos. As partes já haviam se reunido anteriormente em Abu Dhabi, com mediação indireta de Washington.

    Ao fim do encontro, no entanto, perspectivas de avanços concretos seguem limitados, diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos. Eles ainda ocupam cerca de 17% da área.

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    + Zelensky pede que Trump visite Kiev e diz que Ucrânia não cederá território à Rússia

    O país de Volodymyr Zelensky, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.

    A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.

    Em pronunciamento nesta terça-feira, marcando os quatro anos da invasão, Zelensky apelou para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visite Kiev e veja “com os próprios olhos” os efeitos da guerra. Nos últimos meses, o americano tem adotado um tom ambíguo em relação ao conflito e, segundo relatos da imprensa americana e europeia, sinalizou disposição para pressionar Kiev a aceitar concessões territoriais no leste do país.

    Em vídeo de 18 minutos, divulgado junto a imagens inéditas do bunker presidencial na rua Bankova — onde ele e seus assessores se refugiaram nas primeiras horas do ataque russo— Zelensky afirmou que Moscou fracassou em seus objetivos centrais.

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    “Ele não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo para alcançar a paz. E garantir justiça”, disse, referindo-se a Putin.

    + Economia da Ucrânia atravessa pior crise desde o primeiro ano da guerra com Rússia

    O presidente ucraniano também declarou que o país não trairá sua população em eventuais negociações com o Kremlin. “Queremos uma paz forte, digna e duradoura”, afirmou. “Não podemos anular todos esses anos de luta, coragem e dignidade.”

    Desgates

    No discurso, Zelensky afirmou que, incapaz de derrotar a Ucrânia no campo de batalha, Putin intensificou ataques contra infraestrutura civil.

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    “Ele está lutando contra prédios residenciais e usinas de energia”, disse. Nas últimas semanas, bombardeios com mísseis balísticos e drones atingiram o sistema elétrico ucraniano, deixando milhões de pessoas sem luz durante um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.

    Dados das Nações Unidas indicam que milhares de civis morreram desde o início da invasão, além de dezenas de milhares de militares de ambos os lados. O conflito provocou ainda a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

    A economia da Ucrânia também está atravessando seu momento mais difícil desde o primeiro ano da invasão russa devido aos ataques contra o sistema de energia no país. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev que compara o número de empresas que relatam se seus negócios estão piores ou melhores do que no ano anterior ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023.

    A situação no país se agravou após a Hungria manter nesta segunda-feira seu veto a um empréstimo de militar de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev. 

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    A reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra acabasse agora, custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial, em um estudo feito em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano.

    A conta representa um aumento de 12% sobre a estimativa do ano passado, agravada pelo salto de 21% nos estragos no sistema energético do país atacado.

    “O valor da reconstrução é quase três vezes o PIB nominal do país para 2025”, disse a premiê ucraniana, Iulia Sviridenko, em nota, acrescentando que o Produto Interno Bruto do país só poderá voltar a crescer de forma sustentável se houver um cessar-fogo.

    Segundo o estudo do Banco Mundial, o setor mais afetado pela guerra é o de habitação, com 14% de destruição ou danos registrados, somando US$ 61 bilhões (R$ 316 bilhões).

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