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Presidente interino do Egito diz que vai ‘corrigir revolução’

Adly Mansour prestou juramento nesta quinta-feira e disse que ficará no cargo até novas eleições presidenciais - que devem ser convocadas em breve

Por Da Redação
4 jul 2013, 08h08

Adly Mansour, de 67 anos, foi empossado como presidente interino do Egito na manhã desta quinta-feira, após prestar juramento diante da assembleia geral da Suprema Corte Constitucional – vice-presidente do tribunal desde 1992, ele havia assumido a presidência na segunda-feira. Mansour foi designado novo chefe de Estado pelas Forças Armadas, após o golpe militar que depôs, na quarta-feira, Mohammed Mursi, eleito há um ano nas primeiras eleições presidenciais democráticas do país. “Juro por Deus todo-poderoso defender o sistema republicano e respeitar a Constituição e a lei, atender ao povo e proteger a independência nacional e a integridade territorial”, afirmou, em seu discurso de posse. A indicação de Mansour para chefiar a Corte foi feita por Mursi em maio deste ano.

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Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.

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Mursi foi derrubado pelo Exército depois de vários dias de protestos pelo país. Opositores pediam sua renúncia e os militares deram um ultimato para que uma solução para a crise fosse alcançada. Com o fim do prazo, o chefe do Exército e ministro da Defesa, Abdel Fattah Al Sisi, anunciou a suspensão da Constituição, a criação de um governo de transição e a convocação de novas eleições.

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Em seu discurso, Mansour disse ainda que ficará no cargo até a realização de novas eleições presidenciais – que, segundo ele, devem ocorrer num futuro próximo. O novo pleito será convocado e supervisionado por ele. “A revolução de 30 de junho corrigiu a revolução de 25 de janeiro de 2011 (que derrubou Hosni Mubarak). E a população egípcia me deu autoridade para alterar e corrigir a revolução de 25 de janeiro”, disse.

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Para o presidente interino, as manifestações no Egito, que reuniram milhares de pessoas, significam a “reunificação do povo egípcio sem divisões”. Depois de ser empossado, Mansour afirmou a jornalistas que a Irmandade Muçulmana, a organização radical islâmica da qual Mursi faz parte e que se nega a reconhecer a troca de poder, faz parte do povo e é bem-vinda para ajudar a “construir a nação”.

Segundo fontes militares, Mohamed El-Baradei, o líder da oposição e porta-voz dos movimentos jovens que organizaram as enormes manifestações exigindo a renúncia de Mursi, é o favorito para liderar o governo de transição. El-Baradei negociou o “plano de reestruturação” do país com as Forças Armadas. “Ele é uma figura internacional, popular entre os jovens e acredita em uma democracia que incluiria todas as forças políticas. Ele também é popular entre alguns grupos islamitas”, disse uma fonte. El-Baradei ganhou um prêmio Nobel da Paz por seu trabalho como chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU.

Irmandade – Segundo Gehad El-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, Mursi foi colocado em prisão domiciliar junto com seus assessores no escritório da guarda presidencial. O Ministério Público também emitiu mandados de prisão contra 300 membros da Irmandade Muçulmana, inclusive de seus principais líderes, acusados de instigar o assassinato de manifestantes. A Irmandade pretende convocar novas manifestações contra o golpe, segundo a rede BBC.

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Confrontos entre adversários e apoiadores do presidente deposto continuaram após o golpe militar e deixaram pelo menos catorze mortos na quarta-feira. Oito mortes foram registradas em Marsa Matrouh, no norte do país. Dois membros das forças de segurança estariam entre as vítimas, informou a agência Reuters. Outras três pessoas foram mortas na cidade de Alexandria, a segunda maior do país. Três pessoas também morreram nos confrontos em Minya, no Sul do país, incluindo dois policiais, segundo a agência Mena. Da noite de terça-feira até a manhã de quarta, dezesseis pessoas haviam morrido em conflitos semelhantes, assim como no domingo, quando outras dezoito morreram.

Repercussão Em comunicado, o presidente Barack Obama expressou “grande preocupação com a decisão das Forças Armadas de remover o presidente Mursi e suspender a Constituição”. “Eu faço um chamado aos militares para que atuem rapidamente e de forma responsável para trazer a autoridade de volta a um governo civil democraticamente eleito o mais rápido possível, através de um processo transparente e inclusivo”, continuou a nota, que fazia um apelo para que fossem evitadas “prisões arbitrárias” de Mursi e seus apoiadores. “Nenhuma transição para a democracia ocorre sem dificuldades, mas no final, o processo deve permanecer fiel à vontade do povo”, acrescentou Obama.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgou um comunicado na mesma linha, expressando preocupação, mas sem condenar a deposição de Mursi. “Muitos egípcios em seus protestos deram voz a frustrações e preocupações legítimas. Ao mesmo tempo, a interferência militar nos assuntos de qualquer estado é sempre algo preocupante. Portanto, será crucial restaurar rapidamente um governo civil de acordo com os princípios da democracia”.

No Brasil, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar da Silva Nunes, classificou a deposição de Mursi como uma “ruptura da ordem democrática”. Ainda assim, ele rejeitou a possibilidade de fechar a Embaixada do Brasil no Egito. “No momento, não se considera necessário”, disse.

A União Africana (UA) provavelmente suspenderá o Egito de todas as atividades devido ao golpe, afirmou a agência de notícias Reuters citando uma fonte anônima, segundo a qual membros do bloco se reunirão na sexta-feira para dar a sua resposta sobre a “interrupção de uma ordem constitucional”. “A regra, que é a suspensão de qualquer país onde ocorre uma mudança inconstitucional, será aplicada”, disse a fonte.

Já o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, descreveu como “inaceitável” a derrubada de Mursi no poder, classificada como um golpe militar. “A única forma de você ser removido do poder é através de eleições, ou seja, a vontade do povo. É inaceitável que um governo que chegou ao poder através de eleições democráticas seja derrubado de forma ilícita, e pior, através de um golpe militar”, afirmou Davutoglu.

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