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Povo rebelde de Wukan luta contra regime comunista na China

Por Da Redação
24 dez 2011, 09h08

Antonio Broto.

Pequim, 24 dez (EFE).- A população de Wukan, um pequeno povoado de 20 mil habitantes no sul da China, protagoniza há anos uma modesta rebelião contra as autoridades em protesto contra a desapropriação ilegal de terras e a corrupção, um conflito que aumentou até se transformar em uma verdadeira perseguição.

A situação lembra uma guerra medieval: os habitantes da cidade se lançaram contra os líderes comunistas locais, bloquearam com troncos e outros grandes objetos os acessos por estrada, e quilômetros adiante a Polícia colocou também barreiras, tentando cortar a provisão de alimentos.

Os habitantes de Wukan, que conseguiram alimentos ‘clandestinamente’ de outros povoados, se armaram com lanças caseiras fabricadas com varas de bambu e esperam o embate das autoridades, que asseguraram através da agência oficial ‘China News’ que haverá duros castigos aos líderes da rebelião.

Esta situação dantesca tem sua origem em um conflito de terras que se prolonga há anos no lugar, onde os habitantes afirmam que perderam dezenas de hectares desapropriados pelas autoridades.

Desde setembro, aumentaram as manifestações, protestos maciços e aconteceram até confrontos violentos com os aldeões, que chegaram a quebrar veículos policiais e prédios do Governo local.

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Mas a gota d’água foi a morte de Xue Jinbo, um açougueiro de Wukan que tinha sido designado por seus vizinhos como um dos representantes do protesto para negociar com as autoridades.

Xue morreu dois dias após ser detido pela Polícia, em circunstâncias muito estranhas: a imprensa oficial e as autoridades asseguram que morreu de infarto, em uma ocasião ‘infeliz’, enquanto familiares do líder local dizem que ele apresentava sinais de tortura, como dedos e joelhos machucados e sangue no rosto.

A morte do líder, algo que é tristemente frequente neste tipo de incidentes na China, acrescentou tensão e violência aos protestos de Wukan, que a censura do país se apressou a apagar da imprensa local, mas que no entanto chegaram à imprensa internacional, embora muitos repórteres tenham acesso negado ao povoado pelas autoridades.

O caso de Wukan, especialmente pelo inédito desafio que os aldeões mostraram para as autoridades e por sua longa duração, é no entanto um mais dos milhares de confrontos sociais que acontecem a cada ano na China, embora a imprensa quase não preste atenção a uma dezena deles.

De acordo com as próprias estatísticas oficiais chinesas, no país asiático há por ano cerca de 180 mil ‘incidentes sociais’, e calcula-se que 65% são causados por expropriações ilegais para enriquecer os cofres municipais.

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Conflitos trabalhistas e protestos por poluição ambiental também são muito frequentes no país, embora em geral estas manifestações não tenham características políticas. No caso de Wukan, os moradores pediram para escolher democraticamente novos líderes, após a expulsão dos chefes comunistas locais.

A razão destes protestos, segundo os sociólogos, é a frustração de alguns grupos esquecidos, como os camponeses, devido ao rápido desenvolvimento econômico chinês, que aumentou a diferença entre ricos e pobres e entre regiões mais e menos desenvolvidas.

No caso dos protestos contra as expropriações, muitos municípios, que às vezes estão fortemente endividados, buscam um rápido enriquecimento através da construção de bairros de luxo, campos de golfe e outras instalações para a classe alta, muitas vezes sem seguir a lei e após receber subornos, o que produz protestos maciços.

O Governo chinês prometeu neste ano uma campanha contra os campos de golfe e outras construções ilegais, mas gente como os humildes habitantes de Wukan decidiram que não podem esperar mais: chegou o momento de ‘se armar’, e resistir à perseguição da Polícia comunista. EFE

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