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Potências fazem campanha contra venda de urânio ao Irã

Com agência Reuters

Potências ocidentais acreditam que o Irã está ficando sem matéria-prima para seu programa nuclear e lançaram uma campanha para convence os países produtores de urânio, entre eles o Brasil, a não vender o produto a Teerã, informou neste sábado uma reportagem do jornal britânico The Times.

O jornal contou que departamento de assuntos internacionais do governo britânico ordenou no final do ano passado que seus diplomatas no Cazaquistão, Usbequistão e Brasil – três dos maiores produtores de urânio – fizessem lobby junto aos governos locais sobre o assunto.

“Países incluindo Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha começaram um esforço diplomático para dissuadir os maiores produtores de urânio de vender para o Irã”, disse o jornal.

Fontes diplomáticas citadas pelo Times disseram que o estoque iraniano de “bolo amarelo”, produzido a partir do minério de urânio, pode se esgotar dentro de meses. O urânio enriquecido necessário para reatores nucleares ou armas é produzido em centrígufas que espalham gás hexafluoreto (UF6) em alta rotação. O UF6 deriva de uma reação química criada com o chamado “bolo amarelo”, um pó que surge do urânio concentrado na forma de sal.

Os governos das potências ocidentais acusam Teerã de tentar desenvolver armas atômicas sob a sombra de um programa para produzir energia nuclear. O Irã nega as acusações e diz que pretende apenas gerar eletricidade.

A Resolução 1.737 do Conselho de Segurança da ONU proíbe os países de fornecer qualquer item “que possa contribuir para atividades do Irã relacionadas ao enriquecimento” de urânio.

“Poucos entre os grandes produtores correriam o risco de fazer negócio com o Irã”, afirmou o Times. “No entanto, os intensos esforços para garantir que os países produtores sigam as regras sublinham o desafio crescente de conter o comércio de urânio num momento em que ele se expande rapidamente.”

O vice-presidente da companhia atômica estatal do Cazaquistão disse à agência Reuters em uma entrevista em novembro que a antiga república soviética planeja aumentar a produção de urânio para cerca de 12 mil toneladas neste ano, ante as cerca de 8,6 mil toneladas de 2008.

De acordo com a World Nuclear Association, organização que promove as aplicações nucleares pacíficas, os 10 maiores produtores de urânio do mundo são Canadá, Austrália, Cazaquistão, Rússia, Nigéria, Namíbia, Usbequistão, Estados Unidos, Ucrânia e China. O Brasil é o 13º produtor.

O Times afirmou que a República Democrática do Congo pode ser outra fonte potencial de suprimento que preocupa as potências ocidentais e o braço das Nações Unidas que trata do assunto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).