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Passagem de Rafah reabre a conta-gotas para trânsito entre Gaza e Egito

Fechada desde 2024, fronteira é o único contato dos palestinos com mundo exterior; Feridos aguardam entrada de ambulâncias, mas ajuda humanitária segue restrita

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 fev 2026, 08h54 •
  • A passagem de Rafah entre a Faixa de Gaza e o Egito, fechada desde 2024, reabriu nesta segunda-feira, 2, nos dois sentidos para os habitantes locais, que poderão atravessar a fronteira sob condições muito restritas.

    As Nações Unidas e organizações humanitárias vinham reivindicando a abertura da divisa, mas, por ora, ela permanecerá fechada à entrada de ajuda internacional no território palestino, devastado por dois anos de guerra entre Israel e o Hamas.

    Um funcionário de alto escalão israelense anunciou na manhã desta segunda a abertura da passagem fronteiriça nos dois sentidos para os residentes, após a chegada da missão europeia de vigilância conhecida pelo acrônimo EUBAM Rafah.

    Segundo a imprensa egípcia, nos primeiros dias apenas 50 pessoas poderão transitar por lá. Já a televisão israelense Kan anunciou que cerca de 150 pessoas sairão de Gaza nesta segunda, entre elas 50 doentes, enquanto as outras chegarão do Egito. A fronteira abrirá cerca de seis horas por dia, acrescentou a emissora.

    Uma fonte na fronteira declarou à agência de notícias AFP que apenas algumas dezenas de pessoas chegaram pelo lado egípcio na esperança de conseguir atravessar.

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    As autoridades israelenses, que controlam o posto fronteiriço pelo lado palestino, não mencionaram por enquanto um possível aumento da ajuda a Gaza, mergulhada em uma grave crise humanitária. A ajuda internacional proveniente do Egito transita até agora pelo posto fronteiriço israelense de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah.

    Esperança

    A reabertura total de Rafah está prevista no plano do presidente americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra desencadeada em 7 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas em solo israelense, que provocou a morte de cerca de 1.200 pessoas, em sua maioria civis. Desde então, mais de 70 mil palestinos morreram no pequeno enclave costeiro devido à campanha militar israelense de represália — um número do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que Tel Aviv reconheceu pela primeira vez na semana passada.

    Os doentes e feridos aguardavam com impaciência a reabertura da única passagem entre Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel.

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    “Quanto mais espero, pior fica o meu estado, e temo que os médicos tenham de amputar minhas duas pernas”, contou à AFP Zakaria, um homem de 39 anos ferido há dois anos por um bombardeio israelense.

    “A passagem de Rafah é um salva-vidas”, opinou outro ferido, Mohamed Nasir. “Preciso de uma operação séria que não está disponível em Gaza”, explicou.

    Asma Al Arqan, uma estudante palestina, afirmou à AFP que a abertura de Rafah é sinônimo de um futuro melhor porque lhe permitiria prosseguir os seus “estudos no exterior”.

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    Cessar-fogo frágil

    Israel e o Hamas se acusam diariamente de violar o cessar-fogo que interrompeu formalmente os combates em 10 de outubro de 2025. Pelo menos 32 pessoas morreram no último sábado devido a ataques israelenses, informou a Defesa Civil de Gaza. O Exército de Israel afirma ter agido depois que militantes saíram de um túnel em Rafah.

    Um porta-voz do Hamas, Hazem Qasem, advertiu no domingo que “qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel” em relação à passagem de Rafah constituiria “uma violação” da trégua.

    As autoridades israelenses condicionaram as travessias à obtenção de “uma autorização de segurança prévia”, em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia em Rafah.

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    Os palestinos que desejarem voltar a Gaza poderão levar uma quantidade limitada de bagagem, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, segundo a embaixada palestina no Cairo.

    O posto fronteiriço está situado em um setor ainda ocupado pelo Exército israelense, do outro lado da linha amarela, que marca sua retirada de aproximadamente metade da Faixa de Gaza segundo a primeira fase do plano de Trump.

    Sua reabertura também deverá permitir a entrada em Gaza, em data ainda desconhecida, dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), encarregado de gerir o território durante um período de transição sob a autoridade do “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump.

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