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Para economistas, vitória de Obama é fator positivo contra crise

Por Da Redação
5 nov 2008, 18h56

André Pontes

A vitória de Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos na terça-feira, pode abrir as portas para um cenário positivo dentro da reação à crise financeira internacional. De acordo com especialistas, o fato de Obama ser o primeiro negro a vencer uma eleição presidencial no país, o apoio de uma sólida maioria democrata no Congresso e o recorde de eleitores que foram às urnas no pleito, são fatores que podem estimular uma retomada do crescimento econômico americano e, por consequência, do mundo. A questão agora é saber quando esse possível efeito positivo será sentido.

Pesquisas de boca-de-urna mostraram que a economia foi o fator principal na vitória de Obama sobre o senador republicano John McCain. Caso o candidato governista fosse eleito, as políticas do presidente George W. Bush ganhariam uma certa legitimidade, e isso poderia piorar ainda mais o cenário. “Você sai de um presidente ‘pato manco’, como eles dizem nos EUA, com menos de 30% de aceitação, e pega o Obama, com tudo isso que ele representa, e é lógico que terá todo um entusiamo”, diz o professor de Finanças Fábio Gallo, da FGV e PUC-SP.

Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA) Keyler Carvalho Rocha, porém, essa esperança não tem nenhuma confirmação prática, ou seja, não abre as portas para o fim da crise mundial. “Os EUA já fizeram muita coisa. Reduziram juros e soltaram recursos nos bancos, por exemplo, mas temos que lembrar que o país não está com folga no caixa. A real vantagem da vitória de Obama é que o Congresso será de maioria democrata. Ou seja, as medidas que ele vier a propor serão aprovadas”, afirmou Rocha em entrevista a VEJA.com. “Mas o quadro econômico americano é perverso, ele demorará mais de ano para conseguir desfazer essa situação.”

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Segundo levantamento de Marcelo Moura, professor de macroeconomia e finanças do Ibemec São Paulo, o Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos quatorze governos americanos, fossem eles democratas ou republicanos, tiveram um marcante crescimento no segundo ano de mandato dos presidentes. A média democrata no segundo ano é de 5,5% de alta do PIB, enquanto a média republicana é de 2,7%. Os dados mostram que o que o presidente faz em seu primeiro ano de governo não surte tanto efeito, pois ele herda uma situação econômica formatada pelo presidente anterior. Os democratas tendem a ser mais gastadores, usando a política fiscal para gastar e estimular a economia. “Isso, sem dúvida, torna o cenário mais favorável. Podemos apostar numa recuperação da economia americana mais rápida. Isso quer dizer que podemos ver com bons olhos o ano de 2010”, disse Moura a VEJA.com.

Efeitos no Brasil – Para os brasileiros, porém, a vitória de Obama pode não ser tão positiva, segundo Keyler Carvalho Rocha. “Os democratas sempre foram mais protecionistas e isso pode não ser tão bom para o Brasil. Obama deve estabelecer novos subsídios, maior proteção ao aço e etanol americanos, por exemplo”, disse o professor da FEA. De acordo com um artigo escrito nesta semana por Obama no jornal The Wall Street Journal, em um momento como este, os EUA não poderão arcar com mais quatro anos de gastos crescentes, “cortes de impostos pensados de forma precária ou uma falta completa de supervisão reguladora”.

Ainda de acordo com Keyler Rocha, qualquer medida tomada por Barack Obama terá um efeito lento e isso é ruim para o Brasil. “Nada pode ser feito em curto prazo. Ele não é o Super-Homem. O Brasil vai sofrer as mesmas conseqüências da desaceleração econômica no resto do mundo. A China vai comprar menos e nós vamos vender menos, por exemplo. A Vale cortou 30% da produção, o mercado de celulose, 20%, a construção civil está em queda, assim como o setor automobilístico. A crise está refletindo aqui e vai continuar tendo efeito”, afirmou Rocha.

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