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Os quatro principais candidatos à presidência do Egito

Por Mahmud Hams - 23 maio 2012, 11h55

Dois ex-dirigentes do extinto regime de Hosni Mubarak e dois islamitas, um da Irmandade Muçulmana e outro independente, são os candidatos, entre os 12 na disputa no primeiro turno, com mais chances de vencer a eleição presidencial egípcia que começa nesta quarta-feira.

O ex-ministro das Relações Exteriores de Mubarak entre 1991 e 2001, Amr Musa, que depois se tornou secretário-geral da Liga Árabe, apresentou-se durante a campanha como a garantia de um Egito de várias religiões e aberto à modernidade.

Diante do impulso da Irmandade Muçulmana e dos fundamentalistas salafistas, que controlam o novo Parlamento, Musa, de 75 anos, alertou para o risco de o país servir como um “campo de testes” do islamismo político.

Sua experiência política é vista como uma faca de dois gumes, já que muitos o veem como um “vestígio” do regime de Mubarak, forçado a renunciar em fevereiro de 2011, atingido por uma revolta popular.

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“Quando você mesmo é parte do problema, não pode fornecer a solução”, disse um de seus principais rivais, o islamita independente Abdel Moneim Abul Futuh, em um debate na televisão.

Abul Futuh, um ex-membro da Irmandade Muçulmana, é apresentado como o candidato de consenso, apoiado por salafistas e liberais, uma amplitude que poderia se tornar uma fraqueza na hora de cumprir promessas tão variadas.

Médico e com 61 anos, afirma ser o candidato da revolução que derrubou Mubarak, e insiste que tanto Amr Musa quanto o último primeiro-ministro do ex-presidente, Ahmed Shafiq, também candidato, devem ser deixados de fora.

Muitos jovens laicos que participaram da revolução veem nele a síntese de suas idéias de democracia e islã moderado. O cibermilitante Wael Ghonim, um dos símbolos da revolta, o apoiou dizendo que “será o presidente de todos os egípcios, que vai nos unir, e não dividir”.

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“Quando as pessoas ouvem a Sharia (lei corânica), logo pensam que as mulheres serão obrigadas a usar o véu, que o turismo vai ser proibido (…) mas não não pensam nos aspectos formidáveis da sharia, como a insistência na liberdade pessoal, justiça e desenvolvimento”, disse durante a campanha.

Abdel Moneim Abul Futuh fez campanha sobre o direito à cobertura de saúde e educação, e foi excluído da Irmandade Muçulmana no ano passado, depois de mostrar suas ambições presidenciais em um momento em que o partido dizia que não aspirava o cargo mais alto.

Desde então, a Irmandade Muçulmana retificou e lançou a candidatura de Mohamed Mursi, apelidado de “o estepe” por ter substituído o candidato inicial do partido, Khairat al Shater, impugnado por uma condenação antiga.

Pouco impressionado por esse apelido tão pouco lisonjeiro, Mursi lidera o Partido da Justiça e Liberdade, gabinete político da Irmandade Muçulmana e partido mais poderoso do país, com quase metade dos assentos no novo Parlamento.

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Uma posição que provoca alerta em seus adversários, temerosos de que os islamitas controlem os poderes Executivo e Legislativo.

Formado em engenharia em uma universidade dos Estados Unidos, Mursi, de 60 anos, é apresentado como o “único candidato com um programa islâmico” em favor de um “projeto de renascimento” com base nos princípios do Islã.

Na campanha, disse esperar relações “mais equilibradas” com Washington e ameaçou rever o tratado de paz com Israel caso os Estados Unidos bloqueiem sua ajuda ao Egito.

O quarto principal candidato é o último chefe de governo de Mubarak, Ahmad Shafiq, que, como este, é um produto do sistema político-militar que dominou o país nas últimas décadas.

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Shafiq, de 70 anos, foi nomeado chefe do governo nos últimos dias de poder de Mubarak para tentar acalmar a revolta popular que acabou forçando a renúncia do chefe de Estado, em 11 de fevereiro de 2011.

Ex-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, acredita que a sua formação militar será uma vantagem neste período de transição.

Mas precisamente este pode ser o seu maior problema entre os eleitores que querem uma separação clara entre o chefe de Estado e o exército, uma instituição que desde a queda de Mubarak lidera o Egito.

Para aqueles que o acusam de ser uma relíquia do regime deposto, Shafiq responde que foi apenas “um dos nomeados para postos críticos”, e que foi mais útil trabalhando do que renegando os cargos confiados.

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Shafiq fez da segurança e da luta contra o crime sua frente de batalha. Se eleito, disse que está disposto a nomear um vice-presidente islamita.

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