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ONU critica Conselho de Segurança por fracasso na Síria

Por Da Redação
3 ago 2012, 17h21

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta sexta-feira às grandes potências que superem suas rivalidades, para pôr fim ao conflito na Síria, pouco antes de a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovar a resolução que critica o fracasso do Conselho de Segurança em sua atuação diplomática no caso.

A resolução, proposta pelo governo da Arábia Saudita com apoio árabe e ocidental, foi aprovada por 133 votos, com 12 países contra e 33 abstenções.

Os membros da Assembleia criticaram “o fracasso do Conselho de Segurança de alcançar medidas” para obrigar o regime sírio a aplicar as resoluções da ONU para pôr fim a 18 meses de conflito.

Rússia e China vetaram em três ocasiões as resoluções do Conselho que ameaçam impor sanções a Damasco.

O texto também condenou o uso das autoridades sírias de armas pesadas, incluindo bombardeio indiscriminado de tanques e helicópteros e pediu que o governo do presidente Bashar al Assad se abstenha de utilizar armas químicas.

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Antes da votação, Ki-moon pediu às grandes potências que superem suas rivalidades e encontrem um terreno de entendimento para pôr fim ao conflito na Síria, que, segundo ele, virou “uma guerra de poderes”.

“Os interesses imediatos do povo sírio devem prevalecer sobre as rivalidades ou as lutas de influência”, declarou Ban.

O chefe da ONU assegurou que os atores regionais e internacionais estão “armando um bando ou ao outro”, enquanto os combates entre o exército e os rebeldes se intensificaram nas últimas semanas em Damasco e Aleppo (norte).

No dia seguinte ao anúncio da renúncia de mediador internacional, Kofi Annan, após meses de esforços infrutíferos para acabar com a violência, a Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, pediu um substituto de “emergência”.

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Ban Ki-moon denunciou uma “guerra por procuração, com atores regionais e internacionais armando um lado ou outro”.

Ao considerar que o conflito poderia ter sido evitado, ele fez referência às previsões de especialistas que temiam, 18 meses atrás, uma “radicalização, o extremismo e o terrorismo”, assim como uma “guerra por procuração”. “Todas essas previsões terríveis foram confirmadas”, acrescentou.

“Os interesses do Povo da Síria imediatas devem prevalecer sobre as rivalidades ou disputas de poder”, disse Ban na abertura de um debate na Assembléia Geral uma resolução sobre a Síria.

“Os interesses imediatos do povo sírio devem prevalecer sobre as rivalidades ou as lutas de influência”, declarou Ban durante o início do debate para a votação de uma resolução sobre a Síria na Assembleia Geral das Nações Unidas.

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Moscou e Pequim bloquearam no Conselho de Segurança três projetos de resolução ocidentais que condenavam a repressão do regime sírio.

A Rússia disse estar “muito preocupada” pelo “desenvolvimento perigoso” da situação na Síria.

“Os sofrimentos da população civil síria não param de aumentar, e a vida em Aleppo, uma cidade estratégica a 355 km ao norte de Damasco, vive intensos combates e está “parcialmente paralisada”, afirmou o ministério russo das Relações Exteriores.

Neste contexto, “achamos que é muito importante fazer tudo para tentar acabar com o derramamento de sangue e assassinato de pessoas inocentes”, ressalta o ministério.

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No terreno, o Exército bombardeou bairros rebeldes em Damasco e Aleppo, palco de uma batalha crucial na guerra na Síria, onde os insurgentes tomaram o controle de 70% da província de Deir Ezzor, principal produtor de petróleo do país.

Apesar da violência que fez mais 19 mortes, entre eles 14 civis e cinco rebeldes, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), milhares de pessoas protestaram, como em toda sexta-feira, em Tartous, Idleb (noroeste), Deraa (sul), Hama (centro), Hassaké e Aleppo (norte), onde manifestantes exigiram a “excussão de Assad”.

Outro general sírio cruzou a fronteira nesta sexta-feira para refugiar-se na Turquia, elevando para 29 o número de oficiais dessa patente que fugiu da Síria, declarou uma fonte diplomática turca.

Em Aleppo, segunda cidade do país, intensos combates eclodiram em Salaheddine, reduto rebelde que o Exército tenta atacar, segundo o OSDH.

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De acordo com os habitantes, atiradores foram mobilizados nas muralhas da cidade antiga. “A cidadela de Aleppo é um símbolo, é a história de nossos ancestrais, nós iremos atacá-la e se Deus quiser libertaremos todo o país”, declarou o rebelde Abou Mohammad.

“A violência continua a aumentar” em Aleppo, onde reforços “consideráveis” foram mobilizados para a “grande batalha”, indicou o chefe de operações de paz da ONU, Hervé Ladsous.

O bombardeio não impediu que os manifestantes ocupassem as ruas, especialmente os do bairro Chaar, que gritavam “queremos executar Bashar”, “queremos liberdade e paz”, observou um jornalista da AFP.

Em Damasco, o Exército trava uma batalha contra os rebeldes no bairro de Tadamoun, ao lado do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, onde 21 civis foram mortos quinta-feira em um bombardeio, segundo o OSDH.

Combates também eclodiram em torno do aeroporto militar de Marj al-Sultan, na província de Damasco, de acordo com a OSDH. O Exército reassumiu há uma semana o controle da capital e pretende limpar os focos de resistência rebelde.

Em Deir Ezzor, “os opositores assumiram o controle de toda a província, exceto das cidades de Boukamal e Mayadine”, onde rebeldes tomaram uma sede do serviço de segurança, declarou o diretor do OSDH Rami Abdel Rahman, que relatou intensos combates e ataques aéreos do Exército.

Damasco continua empenhado em acabar com o movimento de contestação, iniciado em março de 2011 e militarizou frente a repressão sangrenta, que já causou mais de 20 mil mortos em 16 meses, de acordo com o OSDH.

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