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ONU condena situação de direitos humanos na Síria

Nações Unidas, 19 dez (EFE).- A Assembleia Geral da ONU adotou nesta segunda-feira por grande maioria uma resolução na qual condena a situação dos direitos humanos na Síria e pede o fim da repressão contra os manifestantes, que já deixou mais de cinco mil mortos, segundo os cálculos do organismo internacional.

‘Trata-se de um forte sinal da comunidade internacional às autoridades sírias para que detenham a violência’, afirmou o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, ao defender a resolução, que obteve o sinal verde de 133 países, enquanto outros 11 votaram contra e 43 se abstiveram.

O respaldo obtido pelo texto de condenação a Damasco foi maior que quando a resolução foi aprovada no seio da terceira comissão da Assembleia Geral no último mês de novembro, quando obteve o voto favorável de 122 países, 41 abstenções e 13 votos contra.

A resolução, que foi patrocinada inicialmente por Alemanha, França e Reino Unido, pede ao regime do presidente sírio, Bashar al Assad, que detenha a repressão e acate ‘sem mais demora’ a iniciativa da Liga Árabe para dar um fim à violência no país.

‘É urgente que a Assembleia Geral, como o corpo universal das Nações Unidas, reforce a mensagem da terceira comissão e peça às autoridades sírias que detenham imediatamente as violações dos direitos humanos e a violência contra sua própria população’, declarou Wittig em seu discurso.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Jafari, rotulou o texto como uma amostra de ‘um complô demoníaco’ contra seu país, e falou que as potências ocidentais planejam ‘uma guerra política, midiática e diplomática’ contra a Síria cujo objetivo é a desintegração do país.

Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela estão entre os países que votaram contra a resolução, assim como Belarus, Coreia do Norte, Irã, Mianmar, Uzbequistão e Zimbábue, enquanto Rússia e China se abstiveram.

A Assembleia condena na resolução o uso excessivo da força, a perseguição e o assassinato de manifestantes e defensores dos direitos humanos, a detenção arbitrária, as desaparições forçadas, a tortura e ‘os maus tratos a detidos, inclusive crianças’.

A condenação acontece depois que o Conselho de Segurança, principal órgão de decisões das Nações Unidas, fracassou durante meses em fazer o mesmo devido à oposição de China e Rússia.

Na quinta-feira passada, no entanto, a Rússia apresentou um projeto de resolução no qual encoraja o Governo de Assad a iniciar reformas no país e pede a cessação da violência, embora os membros ocidentais do Conselho o tenham qualificado como insuficiente e pediram uma maior condenação às ações da Síria.

A previsão é que nesta segunda-feira sejam realizados contatos entre as delegações do Conselho de Segurança antes das consultas formais para debater um possível novo texto que contemple as exigências dos membros ocidentais com base na proposta russa.

Rússia e China exerceram seu poder de veto em outubro para evitar que o Conselho aprovasse uma resolução de condenação à Síria, enquanto Brasil, África do Sul, Líbano e Índia se abstiveram.

Na votação de esta segunda-feira na Assembleia Geral, o Brasil votou a favor da condenação da Síria, enquanto África do Sul, Índia e Líbano seguiram os passos de Rússia e China e se abstiveram. EFE