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ONG denuncia filho de presidente por oferecer prêmio de origem duvidosa

Paris, 25 jan (EFE).- A ONG ONE denunciou nesta quarta-feira o prêmio de mais de R$ 1,7 milhões oferecido pelo ministro da Agricultura da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang, filho do presidente, Teodoro Obiang, aos jogadores da seleção do país pela vitória na estreia da Copa Africana de Nações, contra Líbia, no último sábado.

‘O prêmio ilustra perfeitamente a necessidade de mais transparência na Guiné Equatorial. A Europa deve impor uma legislação que regule o setor petroleiro e o dinheiro pago a Governos como o de Teodoro Obiang pela exploração dos recursos naturais’, disse o diretor de ONE França, Guillaume Grosso.

‘A questão não é se os jogadores mereceram esse prêmio, mas de onde provém esse dinheiro e como o filho do presidente o financiou’, acrescentou.

Para Grosso, conhecendo o estilo de vida do filho de Obiang, há razões para duvidar da origem dos 500 milhões de francos CFA (R$ 1,7 milhões), que como presidente da Federação de Jovens do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), que governa o país, tinha prometido aos atletas em caso de vitória na partida de abertura da CAN.

Nguema Obiang também prometeu 10 milhões de francos CFA (cerca de R$ 35 mil) por cada gol marcado em caso de vitória frente aos líbios. Os atletas comandados pelo técnico brasileiro Gílson Paulo alcançou o objetivo, levando a melhor por 1 a 0.

Em outro comunicado, a ONE, fundada pelo cantor Bono Vox e dedicada à luta contra a pobreza extrema, em particular na África, e a ONG guinéu-equatoriana EG Justice criticaram duramente as despesas em investimentos de luxo que são feitas no país, esquecendo a situação de ‘miséria da maioria da população nesse país rico em petróleo’.

As duas organizações destacaram que foram construídos ‘pelo menos 13 palácios presidenciais’ no país, o que dá uma média de um para cada 54 mil habitantes e mostra ‘um desdém chocante pelas necessidades da população’.

Em alusão à CAN, as organizações sublinharam: ‘o futebol não é só uma história de vitórias. Trata-se também de respeitar regras’.

‘A corrupção e a opacidade privam o povo da Guiné Equatorial de um futuro melhor. A União Europeia deveria adotar leis de transparência que devolveriam o poder ao povo’, sugeriu o diretor-executivo da EG Justice, Tutu Alicante. EFE