O Ministério do Bem-Estar Social de Israel divulgou nesta sexta (24) uma série de instruções descrevendo como lidar com as crianças reféns libertadas pelo Hamas.
Esse é o primeiro dos quatro dias de trégua firmados entre os dois lados envolvidos no conflito, e que deverá resultar na suspensão dos bombardeios e na libertação de 50 reféns israelenses e 150 presos palestinos.
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) foram aconselhadas sobre como se apresentarem às crianças, mantidas em cativeiro em Gaza por sete semanas.
As diretrizes foram elaboradas pela psicóloga Carmit Katz e uma equipe de profissionais do Instituto Haruv.
Localizado em Jerusalém, o instituto é reconhecido mundialmente como um centro internacional de excelência na área de maus-tratos infantis.
As instruções foram enviadas a todos os militares que vão interagir com os menores.
“Quando o soldado encontrar a criança, ele se apresentará da seguinte forma: ‘Olá, meu nome é… sou um soldado das Forças de Defesa de Israel e estou acompanhando você para chegar em casa. Você está em um lugar seguro. Estou aqui para cuidar de você, você está seguro”, diz o documento.
“As crianças farão perguntas como: ‘Onde está a mamãe? Onde está o papai? Os soldados não devem responder a estas perguntas, mesmo que saibam as respostas”, diz trecho do documento divulgado pelo governo.
“A pergunta será respondida do seguinte modo: ‘Querida, sinto muito, não sei. Meu trabalho é levá-lo a Israel, para um lugar seguro, onde pessoas que você conhece estarão esperando por você e responderão a todas as suas perguntas’”, diz o documento.
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As diretrizes dizem ainda que os soldados devem pedir permissão às crianças para qualquer contato físico.
Também está listado um conjunto de perguntas que os soldados devem fazer às crianças sequestradas.
“Você está com frio ou calor?” e “Você está com sede?”
Se o soldado identificar que uma criança tem dificuldade para andar, deve perguntar-lhe: “Posso te dar uma mão? Tudo bem se eu te pegar e te ajudar a andar?”
Os soldados também foram instruídos sobre como lidar com questões difíceis, como o destino desconhecido dos familiares após o massacre de 7 de outubro.
“Cada pergunta deve ser respondida da seguinte forma:” Sinto muito, não sei. Meu trabalho é levá-lo a Israel, a um lugar seguro”.
Além disso, ressalta-se a importância de construir uma rotina que inclua descanso, alimentação balanceada e atividade física moderada ao ar livre na primeira semana, além de criar espaços abertos para o diálogo sobre o que a criança vivenciou.
“Evite sobrecarregar verbalmente a criança. O uso de palavras simples e frases curtas é importante. É importante transmitir que estamos abertos e capazes de ouvir e falar sobre coisas difíceis”, disse o conselho do ministério.
Também há uma série de preparativos organizados. Os militares avisaram que diversos locais vão ficar disponíveis para a recepção dos libertados.
“O Exército, em coordenação com os ministérios do governo e as autoridades de segurança, prepararam-se para receber os reféns, dando-lhes todo o apoio necessário”, afirmou o Exército.
Os militares dizem que após recepção inicial e tratamento médico, os reféns seguirão para os hospitais, onde serão reunidos com suas famílias.