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O que tem na injeção letal à qual mulher que seria executada nos EUA sobreviveu

Christa Pike, condenada pelo assassinato de uma colega em 1995, quando tinha 18 anos de idade, seria a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 out 2026, 11h41 | Atualizado em 2 out 2026, 13h12
O que tem na injeção letal à qual mulher que seria executada nos EUA sobreviveu Priorize VEJA no Google

Christa Pike, de 50 anos, foi condenada à morte pelo assassinato de uma colega, Colleen Slemmer, quando ambas tinham apenas 18 anos. Sua execução estava programada para quarta-feira, 30, e seria a primeira aplicação da pena capital a uma mulher no Tennessee, Estados Unidos, em mais de 200 anos. No entanto, ela sobreviveu à administração não de uma, mas duas injeções letais.

A principal substância na injeção é o pentobarbital. Trata-se de um barbitúrico (anestésico) utilizado na maioria dos protocolos de execução em diversos estados americanos, incluindo o Tennessee.

O que é pentobarbital?

A droga tem como objetivo induzir a inconsciência, seguida de paralisia e parada cardíaca, levando à morte. O procedimento geralmente envolve a administração de um coquetel de três drogas, mas alguns estados optaram por usar o pentobarbital como agente único para a execução.

A injeção letal é o principal método empregado em execuções pelo governo federal, pelas Forças Armadas e pelos 31 estados que autorizam a pena capital. Desde 1976, foram realizadas 1. 492 execuções por esse método nos Estados Unidos, segundo o Death Penalty Information Center, uma organização sem fins lucrativos.

Devido à resistência dos fabricantes em fornecer as drogas comumente usadas em injeções letais, alguns estados agora permitem o uso de métodos alternativos e começaram a experimentar novos fármacos e combinações de medicamentos. Isso resultou em execuções prolongadas, nas quais os prisioneiros apresentaram sinais de dor e sofrimento.

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Jornalistas que testemunharam a tentativa de execução descreveram roncos, expirações ruidosas, arquejos e queixas de Pike sobre dor, além de movimentos de chutes tão intensos que fizeram cair os lençóis que a cobriam, segundo a emissora NBC News. Em alguns momentos, a cortina foi fechada e os jornalistas conseguiam ouvir apenas sons.

O que aconteceu com Christa Pike?

Apenas uma hora antes de a execução ocorrer, um tribunal federal de apelações adiou o protocolo para analisar alegações de abuso sexual e estupro sofridos por ela na infância — questões que, segundo Pike, não haviam sido totalmente consideradas durante a sua condenação.

O caso de grande repercussão chegou a ser contestado por especialistas em direitos humanos devido à idade de Pike na época do crime, ao seu histórico como vítima de abuso e a potenciais doenças mentais não tratadas. Na era moderna da pena de morte, após 1976, o Tennessee nunca executou alguém que tivesse apenas 18 anos na época do delito.

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No entanto, mais tarde naquela quarta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou a suspensão e abriu caminho para que o estado do Tennessee prosseguisse com a pena.

O estado de saúde de Pike após a tentativa de execução não foi divulgado de imediato, e não ficou claro — após ela ter sido levada para atendimento médico saindo da Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend, em Nashville — quais medidas jurídicas seus advogados ou o estado poderiam adotar em seguida.

Após o fracasso, o Departamento de Correções do Tennessee divulgou um comunicado ressaltando que “seguiu todas as etapas do protocolo de execução legal e estabelecido do estado, aprovado pela Procuradoria-Geral”.

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“A substância química de injeção letal prevista no protocolo tem se mostrado consistentemente eficaz, e o protocolo não prevê procedimentos adicionais além daqueles realizados nesta noite. Christa Pike foi transferida para uma unidade médica externa”, completou a nota.

O caso

A condenação de Pike aconteceu em 1995, quando, acabada de chegar à maioridade, assassinou a colega Colleen Slemmer, de 19 anos. Na época, a criminosa contou com a ajuda de dois outros jovens, incluindo seu namorado, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos no momento do crime. Por ser menor de idade, ele não pôde ser condenado à morte e cumpre prisão perpétua.

Segundo a investigação, Pike matou Slemmer por ciúme e obsessão, acreditando que a colega estava interessada em Shipp. As garotas estudavam juntas no programa Job Corps em Knoxville, no Tennessee, quando a primeira convenceu-se de que a colega queria roubar seu namorado e passou a nutrir um forte rancor.

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Em janeiro de 1995, Pike, seu namorado e outra amiga atraíram Slemmer para uma área florestal isolada sob o pretexto de fazerem as pazes. No local, a vítima foi brutalmente torturada e espancada por cerca de 45 minutos antes de ser assassinada.

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A defesa de Pike tentou reverter a sentença com base em evidências que não teriam sido apresentadas adequadamente ao júri original. Na época, o advogado responsável pelo caso era recém-formado e nunca havia atuado em um processo de homicídio.

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Os atuais defensores argumentam que Christa Pike possui um histórico severo de traumas, incluindo abuso sexual e estupros na infância e adolescência, além de abandono familiar, lesão cerebral e problemas de saúde mental não tratados.

A raridade de mulheres no corredor da morte é um fenômeno nacional. Desde 1976, quando a Suprema Corte americana restabeleceu a pena, apenas 18 mulheres foram executadas em todo o país, em comparação a mais de 1. 600 homens.

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