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Justiça dos EUA suspende primeira execução de uma mulher em 200 anos

Christa Gail Pike, de 50 anos, receberia injeção letal nesta quarta-feira

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 12h46
Justiça dos EUA suspende primeira execução de uma mulher em 200 anos Priorize VEJA no Google

Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos suspendeu nesta quarta-feira, 30, a execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, cerca de uma hora antes do horário previsto para a aplicação da injeção letal no estado do Tennessee. Caso a sentença fosse cumprida, ela seria a primeira mulher executada no estado em pelo menos 200 anos.

A ordem foi emitida enquanto testemunhas da execução já estavam reunidas na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville. A Justiça decidiu interromper a execução para analisar se as alegações de que Pike sofreu abusos sexuais e estupros durante a infância foram devidamente consideradas no processo que resultou em sua condenação à morte.

Ainda não está claro por quanto tempo a execução ficará suspensa nem se a Procuradoria-Geral do Tennessee recorrerá da decisão.

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O crime

Condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, Pike tinha 18 anos quando cometeu o crime. A norte-americana e o então namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, atacaram Slemmer, uma colega que conheceram no programa de treinamento profissional Knoxville Job Corps. Segundo as provas apresentadas no julgamento, a vítima foi espancada e torturada antes de ser morta.

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Pike foi condenada à pena de morte em 1996. Shipp, por ser menor de idade na época, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. 

O assassinato provocou grande repercussão em Knoxville. Entre os elementos mais marcantes do caso estava o fato de um símbolo associado ao satanismo ter sido gravado no corpo da vítima. Testemunhas também afirmaram que Pike se gabou do crime e mostrou a outras pessoas um fragmento do crânio da vítima. 

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O que diz a defesa

A equipe jurídica de Pike sustenta que circunstâncias importantes de sua infância e de sua saúde mental não foram adequadamente apresentadas ao júri durante o julgamento. Os advogados afirmam que ela sofreu repetidos abusos sexuais, físicos e emocionais durante a infância e adolescência e que foi vítima de estupros cometidos por homens próximos à família. Segundo avaliações realizadas posteriormente, Pike também foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.

A defesa argumenta ainda que Pike era uma adolescente quando cometeu o crime e que a evolução do entendimento sobre o desenvolvimento cerebral de jovens deveria ser considerada na análise de sua condenação. Ela é a única pessoa na história moderna do Tennessee a receber pena de morte por um crime cometido aos 18 anos, segundo o Death Penalty Information Center.

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Os advogados também afirmam que Pike mudou durante as três décadas que passou no corredor da morte e demonstrou arrependimento pelo assassinato. Especialistas e grupos que defendem a clemência citam o histórico de violência e negligência sofrido por ela como circunstâncias que deveriam ser consideradas antes da execução.

O governador do Tennessee, Bill Lee, no entanto, rejeitou na segunda-feira, 28, o pedido de clemência apresentado pela defesa. Com isso, a execução permaneceu marcada para 30 de setembro, por injeção letal.

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A Suprema Corte do Tennessee também já havia rejeitado pedidos relacionados à suspensão da execução. Nesta semana, a defesa levou a questão à Suprema Corte dos Estados Unidos e pediu uma ordem de emergência para impedir que a pena seja cumprida. 

Família da vítima

A mãe de Colleen Slemmer, May Martinez, defende a execução de Pike. Em declarações anteriores, ela afirmou que a condenada deve responder pelo assassinato e que a família continua sofrendo as consequências da morte da jovem.

Caso a execução ocorra, Pike será a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos. O caso também chama atenção pela raridade da pena capital contra mulheres nos Estados Unidos: desde 1976, apenas 18 mulheres foram executadas no país, em comparação com mais de 1.600 homens.

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