O astronômico gasto dos EUA em apenas uma semana de guerra contra o Irã
Congresso americano pode precisar aprovar orçamento adicional para sustentar o conflito, que entrou no 13º dia
A primeira semana da guerra contra o Irã custou aos Estados Unidos ao menos US$ 11,3 bilhões (quase R$ 60 bilhões), de acordo com relatórios apresentados pelo Pentágono ao Congresso do país e divulgados pelo jornal americano The New York Times na quarta-feira 11. A soma equivale a mais de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,3 bilhões) por dia.
O valor foi informado durante uma reunião a portas fechadas com parlamentares e não inclui despesas relacionadas à preparação dos ataques, o que indica que o custo real pode ser ainda maior.
A imprensa americana já havia relatado que o governo do presidente Donald Trump informou aos legisladores que foram gastos cerca de US$ 5,6 bilhões em munições apenas nos dois primeiros dias do conflito — um montante significativamente superior às estimativas públicas anteriores.
Cálculos independentes também apontam para gastos elevados desde o início da ofensiva. A organização Center for Strategic and International Studies (CSIS), com sede em Washington, calculou que as primeiras 100 horas de ataques contra o Irã custaram aproximadamente US$ 3,7 bilhões, o equivalente a US$ 891 milhões por dia. Desse total, cerca de US$ 3,5 bilhões não estavam previstos no orçamento militar, segundo a organização.
Membros do Congresso, que podem ter que aprovar em breve um financiamento adicional para a guerra que a imprensa americana indicou chegar a US$ 50 bilhões, expressaram preocupação com o fato de o conflito esgotar os estoques militares dos Estados Unidos em um momento em que a indústria de defesa já estava com dificuldades para atender à demanda.
Guerra no Oriente Médio
O relatório foi divulgado em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques americanos e israelenses contra o Irã em 28 de fevereiro, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, Teerã lançou uma ampla campanha retaliatória contra países da região que abrigam bases militares americanas.
As Forças Armadas americanas afirmam ter atingido mais de 3 mil alvos em todas as 31 províncias iranianas, enquanto a República Islâmica revidou disparando cerca de 500 mísseis e 2 mil drones (a maioria interceptados por sistemas de defesa, mas muitos atingiram estruturas importantes como aeroportos e refinarias no Golfo) desde o início das hostilidades. Estima-se que 7,5 milhão de pessoas vivam em um raio de 1 quilômetro de distância de pontos atingidos por mísseis, bombas e drones.
Na quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, listou condições para o fim da guerra, incluindo o reconhecimento dos direitos legítimos da nação persa, o pagamento de reparações e firmes garantias internacionais contra futuras agressões.
Israel e Estados Unidos, por outro lado, não emitiram declarações públicas definindo objetivos de guerra claros ou articulando condições para encerrar a campanha. Segundo Trump, a decisão sobre quando encerrar a guerra com o Irã será tomada de forma “mútua” entre ele e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.





