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Mulheres avançam em cartéis mexicanos em meio à ofensiva estatal

Por Por Pablo Pérez
23 Maio 2012, 14h33

A morte de milhares de narcotraficantes nos últimos cinco anos no México na “guerra” lançada contra eles pelo governo está fazendo com que esposas, irmãs e filhas avancem em postos dentro dos cartéis que até agora estavam reservados aos homens.

Assim afirma o livro “Las jefas del narco” (‘As chefes do narcotráfico’, em tradução livre), cujo coordenador, Arturo Santamaría, pesquisador da Universidade Autônoma de Sinaloa, adverte que a mudança “vai fortalecer (o narcotráfico), vai tornar mais difícil combatê-lo, porque parece que o estão fazendo com mais inteligência”.

“Las jefas del narco”, obra publicada por Grijalbo, reúne trabalhos de vários jovens pesquisadores e jornalistas e inclui entrevistas e declarações de algumas traficantes de drogas que abandonaram seu papel tradicional, limitado na cultura do narcotráfico, para ocupar posições de comando.

Desde que o presidente Felipe Calderón iniciou, em dezembro de 2006, uma ofensiva contra o crime organizado com a participação do exército, morreram mais de 50 mil pessoas em confrontos entre os cartéis e deles com as forças públicas.

“A maior parte dos mortos são narcotraficantes e homens”, explica à AFP Santamaría, que acrescenta que isto provocou uma “substituição obrigatória” nas estruturas criminosas.

Por um lado, precisaram recorrer aos jovens, “mas também dentro das mesmas famílias dos traficantes de drogas, (com) as esposas, as filhas, as amantes, as namoradas…”.

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“Já mataram meu pai, ficou meu irmão, mas ele morreu no último tiroteio e hoje eu sigo à frente”, afirma uma delas em um capítulo escrito por Christian Moreno.

No estado de Sinaloa (noroeste), berço dos principais traficantes mexicanos e em cuja serra é produzida papoula e maconha há quase um século, a substituição ocorreu de forma quase natural porque muitas conviveram com o narcotráfico desde que nasceram.

“Elas o absorveram desde crianças, milhares delas. Sabem o que é isso, como funciona”, afirma Santamaría.

Começaram se dedicando a extrair goma de papoula, uma atividade que exige delicadeza e paciência.

“Depois também passaram a transportar droga, a lavar dinheiro” (abrindo pequenos comércios ou comprando casas) ou se tornaram “diplomatas do narcotráfico”, levando mensagens ou subornando as autoridades se aproveitando de sua beleza, explica Santamaría.

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“Mas depois começaram a se envolver na operação. Todo este processo foi levando-as a conhecer mais e a dirigir homens, operações, transferências… e a partir daí a se tornar chefes de todas as operações” ou inclusive sicárias, afirma o pesquisador.

Esta crescente presença se reflete na prisão de 46 chefes até outubro passado, segundo a procuradoria do México, ou nas 2.143 mexicanas presas nos Estados Unidos em uma década por narcotráfico.

Para Santamaría, as mulheres “são mais seletivas com o uso da força, preferem atirar menos que os homens”.

“Talvez o que as torne mais cautelosas é que são mães de família”, embora as jovens costumem ser impulsivas como os homens e todas elas “podem ser tão sanguinárias” como eles, explica.

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