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Mubarak destitui governo e defende ação de forças de segurança

Ele é criticado pela forma como reprime as manifestações há quatro dias

Por Da Redação
28 jan 2011, 16h35

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou nesta sexta-feira (sábado, no horário local), que destituiu o governo do país, após quatro dias de intensos protestos, que já deixaram 26 mortos e 870 feridos em várias cidades do território. Ele afirmou que um novo gabinete será anunciado ainda no sábado. O ditador, que está há trinta anos no poder, também elogiou a atuação das forças de segurança do país na repressão das mobilizações. Este foi o seu primeiro discurso desde o início da onda de manifestações. A maneira como ele tem lidado com os protestos anti-governo tem provocado reações até de antigos aliados, como os Estados Unidos.

Em discurso transmitido pela televisão estatal, Mubarak afirmou que o seu país precisava de diálogo, e não de violência, para encerrar os problemas que provocaram dias de protestos, e anunciou que estava demitindo sua equipe de governo. “Pedi ao governo para apresentar sua renúncia hoje”, disse. Mas, não deu nenhuma indicação de que poderia renunciar ou deixar o país. “Eu posso assegurar que estou trabalhando para a população e permitindo a liberdade de opinião, desde que vocês respeitem a lei”, acrescentou. “Há uma linha tênue entre liberdade e caos”.

Nesta sexta-feira, a população ignorou o toque de recolher imposto pelo presidente e voltou às ruas no Cairo, Alexandria e Suez. A sede do Partido Democrático Nacional, de Mubarak, ficou em chamas. As imagens foram exibidas pela rede de televisão do Qatar “Al Jazeera”. Para reprimir a onda de protestos, tanques de guerra foram enviados à capital do país e o Exército tentou conter as manifestações. Internet e a rede de celulares foram retiradas do ar, mas o governo nega a intervenção.

A situação do país atrai a atenção do Ocidente. Isso porque o Egito é um dos únicos estados árabes que possui relações com Israel. Além disso, é o país da região que mais recebe ajuda financeira dos Estados Unidos – cerca de 2 bilhões de dólares por ano. O grande temor é que a queda de Mubarak abra espaço para a Irmandade Muçulmana, grupo fundamentalista islâmico de grande influência no país. .

Inspirada pelo movimento popular que derrubou o ditador da Tunísia Zine El Abidine Ben Ali, a população egípcia pede a deposição de Mubarak, que está no poder desde 1981. Nesta sexta, um dos principais líderes que apoiam o movimento de oposição, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, foi detido.

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Detidos – Segundo o pronunciamento da alta-comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) Navi Pillay, até agora o governo de Mubarak já prendeu mais de 1.000 pessoas. Pillay disse que o Egito precisa autorizar seus cidadãos a participar de manifestações e parar de tentar calar os que criticam o governo. Ela pediu ainda a suspensão da lei de emergência, que seria “a raiz de boa parte da frustração e da raiva que agora se esparramou pelas ruas”.

Brasil – O Governo brasileiro declarou nesta sexta-feira esperar que o Egito, assim como Tunísia e Iêmen, onde os protestos nas ruas também têm sido violentos, possam avançar rumo a uma evolução política de forma a atender as reivindicações populares em um ambiente pacífico.

“O Governo brasileiro expressa sua expectativa de que as nações amigas encontrarão o caminho de uma evolução política capaz de atender às aspirações da população em ambiente pacífico e sem interferências externas”, diz um comunicado divulgado pelo ministério das Relações Exteriores. A nota também ressalta que o Egito é um importante parceiro do Mercosul.

(Com agências EFE e Reuters)

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