Clique e assine a partir de 9,90/mês

Morte de deputado ofusca posse presidencial na Guatemala

Por Por Edgar Calderón - 13 jan 2012, 15h37

Homens não identificados assassinaram a tiros o deputado guatemalteco da oposição Valentín Leal, reeleito em uma região controlada pelo tráfico de drogas, e um irmão dele, um dia antes de o general da reserva Otto Pérez (direita) assumir a Presidência e o novo Congresso iniciar suas funções.

“Lamentamos o assassinato do deputado Valentín Leal”, que morreu nesta sexta-feira em um ataque, ao lado de um irmão, declarou a jornalistas Pérez, que será empossado presidente no sábado para um mandato de quatro anos, em substituição ao social-democrata Álvaro Colom.

Leal foi reeleito nas eleições gerais de setembro pelo partido Liberdade Democrática Renovada (Líder, direita, opositor), cujo candidato à Presidência, Manuel Baldizón, foi derrotado no segundo turno, em novembro, pelo general da reserva Pérez, do direitista Partido Patriota.

Ele tinha sido eleito pelo departamento (estado) de Alta Verapaz (250 km ao norte da capital), que se tornou nos últimos anos uma área controlada por cartéis de drogas, e onde vigorou nos últimos cinco meses um estado de exceção decretado em dezembro de 2010 por Colom na tentativa de recuperar o território.

Segundo testemunhas, homens em motocicleta atiraram contra o veículo em que viajava o deputado, seu irmão Erick Leal, e um agente de segurança pessoal que ficou ferido, em ataque praticado em pleno centro histórico da Cidade da Guatemala, a poucos metros do prédio do Congresso.

O futuro chefe de Estado, de 61 anos, comentou à imprensa que embora Leal fosse candidato a deputado pelo Líder, na quinta-feira participou de uma reunião da bancada do Partido Patriota porque queria integrar este partido.

“Ontem (quinta-feira), o deputado apresentou sua carta e a temos em mãos. Ele nos disse que queria apresentá-la no (dia) 14 porque queria ser parte da bancada de Patriota” na nova legislatura, disse Pérez, especialista em contrainsurgência, que chefiou um quartel de Quiché – na fronteira com Alta Verapaz – durante a guerra civil (1960-1996).

Continua após a publicidade

Segundo Pérez, Leal informou que “tinha muitas ligações telefônicas que não o deixavam em paz, que não atenderia mais (seu celular), que ia tentar se esconder para que parassem de pressioná-lo e hoje temos a notícia de que foi assassinado”.

“Lamentamos muitíssimo que estas situações estejam acontecendo, pela violência e a insegurança que não respeitam ninguém, é o que está acontecendo em todas as partes”, afirmou o general da reserva, que prometeu combater com mão de ferro o crime organizado.

Pérez também exiu da promotoria uma “investigação exaustiva para determinar de onde o ataque pode ter vindo” e rejeitou os dados fornecidos por Colom, segundo quem em quatro anos de gestão a taxa de homicídios diminuiu de 48 para 38 por cem mil habitantes.

“Lamentamos a violência e a insegurança que têm prevalecido no país, é triste que continuem acontecendo situações deste tipo que ocorrem diariamente e o governo quer nos dizer que estão diminuindo os níveis de violência e querem nos dar dados que os guatemaltecos sabemos que não são corretos”, acrescentou.

O assassinato provocou reações de indignação imediatas. O presidente do Congresso, Roberto Alejos, da Unidade Nacional da Esperança (UNE, social-democrata, governista) lamentou o crime e destacou o impacto negativo que terá para o país.

“Definitivamente, este fato ameaça a imagem do país em nível internacional, devido à violência e porque estamos a 24 horas da transmissão do comando presidencial e assuma a nova legislatura” no Parlamento, comentou.

Sob fortes medidas de segurança, que envolvem 2.000 policiais, apoiados por militares, Pérez tomará posse em uma cerimônia que começará às 14h30 locais (18h30 de Brasília) de sábado, em um estádio polidesportivo do sul da capital, com a presença de dez chefes de Estado e de governo.

Continua após a publicidade
Publicidade