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Militares rebeldes sírios mudam de estratégia e passam para a ofensiva

Por Da Redação 5 jan 2012, 13h55

Mohammed Siali.

Cairo, 5 jan (EFE).- Os militares rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS) passarão para a ofensiva e planejam atacar alvos estratégicos do regime sírio nos próximos dias, antecipou à Agência Efe o líder número dois do grupo.

Composto por membros desertores das Forças Armadas sírias, o objetivo principal do ELS era proteger os manifestantes civis que protestam nas ruas para pedir a renúncia do presidente Bashar al Assad desde março do ano passado.

No entanto, o grupo aposta agora numa nova estratégia, que classifica como uma ‘evolução qualitativa na defesa do povo’. A mudança significa golpear ‘alvos vitais do regime opressor’, disse à Efe o subcomandante-em-chefe do ELS, coronel Malik Kurdi.

‘Após dez meses de assassinatos na Síria, o mundo nos olha como se isto fosse uma obra de teatro. Só escutamos pesares e lamentos, mas isso não é suficiente’, destacou Kurdi, antes de criticar a comunidade internacional por sua passividade diante do conflito.

O grupo militar rebelde é composto por entre 20 mil e 25 mil membros, garante Kurdi, que se encontram em sua maioria dentro da Síria. O comando da organização, no entanto, permanece na Turquia, para onde são levados os feridos.

O subcomandante explicou que o ELS é formado quase que exclusivamente por soldados desertores, embora existam voluntários civis que participam de ações logísticas como o ‘fornecimento de alimentos e o resgate dos feridos’.

Kurdi justificou a criação do grupo, que não está vinculado diretamente a nenhum dos movimentos políticos de oposição, às ‘dolorosas cenas de assassinatos cometidos pelo regime, que fizeram com que muitos soldados se negassem a cumprir ordens e a desertar’.

Ele explicou que no início os soldados se organizaram no antigo Movimento de Oficiais Livres para proteger as manifestações pacíficas.

O aumento nos casos de militares que deixavam as Forças Armadas acabou levando à criação do ELS, dirigido por Riad al-Assad. O objetivo do grupo era reunir todos os desertores e formar ‘o núcleo do próximo Exército que existirá na Síria após a queda do atual regime’, explicou.

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Os rebeldes dispõem de um arsenal composto por armas leves que os soldados levaram com eles quando abandonaram suas unidades. Além disso, também contam com armamentos, como rifles automáticos e foguetes, roubados durante os enfrentamentos com as forças de segurança.

O dia 13 de novembro foi um marco na organização, pois nessa data foi criado o Conselho Militar Sírio, que definiu a queda do regime de Bashar al-Assad com o objetivo principal de suas operações.

A partir desse momento, o Conselho começou a preparar as bases militares para um possível desmantelamento do regime, e dessa maneira evitar o caos e impedir operações de vingança do atual governo.

‘Não recebemos apoio financeiro ou militar de nenhum país nem movimento político, só recebemos fundos de alguns doadores sírios para comprar armas leves e munição’, insistiu Kurdi.

O subcomandante explicou que seu grupo planejava a criação de uma ‘zona liberada’ dentro da Síria, apoiada por uma área de exclusão aérea, mas agora, na sua opinião, as condições mudaram.

Neste momento, diz Kurdi, essas medidas são inviáveis, pois Assad colocou seus homens mais leais no comando das unidades militares, por isso o membro do ELS descarta novas deserções em massa, imprescindíveis para o estabelecimento de uma ‘zona liberada’.

Diante desta situação, o Exército Livre Sírio tem a intenção de praticar uma guerra de guerrilhas, embora o coronel seja favorável aos países árabes e a Turquia lançarem uma intervenção militar terrestre na Síria apoiada pelo ar pela Otan.

Apesar disso, defendeu que os protestos pacíficos continuem, pois são a ‘base da revolução síria e transmitem a posição do povo para o mundo’.

A repressão das forças de segurança contra a população civil continuou nesta quinta-feira na Síria e pelo menos dez pessoas morreram em diferentes províncias do país.

Até o momento, o número de vítimas fatais desde o início do conflito já chega a seis mil, segundo cálculos das organizações opositoras. EFE

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