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Médicos não autorizam transferência de opositor russo para o exterior

Hospital na Sibéria afirma que não foram encontrados vestígios de veneno no corpo de Alexei Navalny; família e amigos questionam diagnóstico

Por Julia Braun 21 ago 2020, 09h44

Os médicos responsáveis pelo tratamento de Alexei Navalny, opositor russo internado com suspeita de envenenamento, se recusaram a permitir a transferência do jornalista para um hospital fora da Rússia. Os familiares e amigos de Navalny temem que ele não esteja recebendo o melhor tratamento e afirmam que os relatórios sobre seu diagnóstico estão sendo mantidos em sigilo.

O vice-diretor do Hospital de Emergências nº 1 de Omsk, na Sibéria, onde Navalny está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), afirmou nesta sexta-feira, 21, que não há vestígios de veneno em suas análises. “Não foi detectado nenhum veneno ou traço dele nos exames de sangue ou urina”, disse Anatoly Kalinichenko em entrevista coletiva.

Segundo o médico, o hospital já tem um diagnóstico conclusivo da causa do mal-estar de Navalny, mas não pode divulgar todas informação. Ele acrescentou que “o diagnóstico de ‘intoxicação’ permanece algures no subconsciente”, mas frisou que os médicos consideram que o opositor não foi envenenado.

Segundo Kalinichenko, a hipótese privilegiada é a de um “desequilíbrio glicêmico, ou seja, um distúrbio metabólico” no opositor, que pode ter sido causado por “uma queda brusca dos níveis de açúcar no sangue”.  O hospital também deve resolver “certas questões jurídicas” antes de permitir que médicos europeus consultem Navalny. Especialistas de Moscou chegaram durante a noite para examiná-lo.

O médico insistiu que o estado do paciente é instável, por isso não é apropriado falar sobre a possibilidade de sua transferência. Parentes e colegas de Navalny solicitaram, sem sucesso, autorização para transferi-lo para uma clínica na Alemanha em um ambulância aérea que já está no aeroporto de Omsk.

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“A proibição de transportar Navalny serve apenas para ganhar tempo e esperar o momento em que o veneno não possa mais ser detectado em seu corpo. Cada hora de atraso representa uma ameaça crítica à sua vida”, escreveu a porta-voz do político, Kira Yarmysh, no Twitter.

  • Ontem, Navalny, de 44 anos, sentiu um mal-estar a bordo do avião em que voltava da cidade de Tomsk, na Sibéria, para Moscou. Com isso, a aeronave teve que fazer um pouso de emergência no aeroporto de Omsk e ele foi levado em seguida para um hospital.

    “É ilegal manter Alexei em um hospital que não possui os tratamentos, condições e equipamentos necessários. Eles não nos mostram os relatórios”, disse a médica particular de Navalny, Anastasia Vasilyeva.

    Navalny, um hábil comunicador, tornou-se um dos maiores opositores do governo de Vladimir Putin, com suas campanhas para denunciar a corrupção entre os altos funcionários do país. Em 2017 sofreu queimaduras químicas em um olho quando alguns homens jogaram um líquido verde usado como desinfetante em seu rosto. Há um ano atrás o opositor foi envenenado em um centro de detenção.

    (Com EFE)

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