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Marrocos se torna quarto país árabe a retomar relações com Israel

Acordo mediado pelos Estados Unidos prevê, em retorno, reconhecimento da soberania marroquina na disputada região do Saara Ocidental

Por Da Redação Atualizado em 10 dez 2020, 18h00 - Publicado em 10 dez 2020, 17h53

O Marrocos confirmou nesta quinta-feira, 10, que retomará suas relações com Israel “o mais rápido possível”. Em troca, os Estados Unidos, que já mediaram acordos entre Israel e outros três países árabes, passarão a reconhecer a soberania marroquina sobre o disputado território do Saara Ocidental.

Em telefonema com o presidente americano, Donald Trump, o rei marroquino Mohammed VI destacou que seu país “retomaria os contatos oficiais e as relações diplomáticas”. As nações não têm representantes em seus territórios desde a década de 2000.

“Hoje houve outro avanço HISTÓRICO! Nossos dois grandes amigos Israel e o reino de Marrocos concordaram em ter relações diplomáticas plenas, uma conquista maior para a paz no Oriente Médio!”, disse Trump no Twitter.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, celebrou o acordo e a retomada gradual de “voos diretos” entre os dois países. Em um pronunciamento transmitido pela televisão, ele também agradeceu ao rei do Marrocos pela “calorosa relação” entre ambos os países.

O Marrocos é o quarto país desde agosto a fechar um acordo para normalizar relações com Israel, depois de Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão. As propostas foram impulsionadas e mediadas pelo genro e assessor de Trump, Jared Kushner.

Os palestinos criticaram a retomada de relações, assim como fizeram após os três acordos anteriores, alegando que os países árabes retrocederam na busca da paz ao abandonaram a antiga demanda de que o reconhecimento de Israel depende da devolução das terras ocupadas em 1967, na Guerra dos Seis Dias, para a fundação de um futuro Estado.

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Bassam al-Salhi, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, condenou o acordo. Segundo ele, a iniciativa é “inaceitável e aumenta a beligerância de Israel e sua rejeição dos direitos palestinos”. 

“Qualquer retirada árabe da Iniciativa de Paz Árabe [de 2002], que estipula que a normalização, vem somente depois de Israel interromper sua ocupação de terras palestinas e árabes”, acrescentou.

Assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são considerados ilegais pela Organização das Nações Unidas, com base no direito internacional. Só neste ano, Israel já autorizou a construção de ao menos 12 mil novas residências na Cisjordânia.

O movimento islâmico palestino Hamas, no poder na Faixa de Gaza, disse que o acordo era um “pecado político”.

“É um pecado político que não serve à causa palestina e encoraja a ocupação a continuar negando os direitos de nosso povo”, disse Hazem Qassem, porta-voz do Hamas.

Enquanto isso, Trump, que deixará a Casa Branca em 20 de janeiro para que o democrata Joe Biden tome posse, afirmou que já assinou o reconhecimento da soberania do Marrocos sobre o Saara Ocidental. Ele afirmou que a medida é a única “solução justa e duradoura que garanta a paz e a prosperidade”.

Até esta quarta-feira, os EUA seguiam a posição da ONU em relação ao Saara Ocidental. A organização considera a região um “território não autônomo”, formalmente sob administração da Espanha. Um plebiscito para consultar a população local sobre o futuro da região vem sendo negociado há anos, mas sem sucesso. Os marroquinos, por sua vez, reivindicaram a área ocupada após a saída espanhola, ao fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975. 

As Nações Unidas afirmaram que sua posição “não mudou” depois do respaldo americano. O secretário-geral da organização, António Guterres, acredita que “a solução para a questão ainda pode ser encontrada com base nas resoluções do Conselho de Segurança”.

(Com AFP)

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