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Maquinista da tragédia de trem na Espanha é acusado de imprudência

Francisco Jose Garzón Amo será interrogado nesta sexta-feira no hospital

Por Da Redação - 26 Jul 2013, 10h23

O maquinista do trem que descarrilou na quarta-feira na Espanha, matando 78 pessoas, foi formalmente acusado de imprudência, informou nesta sexta-feira a polícia espanhola. Francisco José Garzón Amo, que já havia sido detido no hospital, onde se recupera de ferimentos, será interrogado hoje, segundo o chefe de polícia da região da Galícia, Jaime Iglesias. A principal suspeita para a causa do acidente é o excesso de velocidade. O trem viajava a 190 quilômetros por hora, mais que o dobro da velocidade permitida no trecho.

Segundo Iglesias, Garzón permanece sob custódia policial e ainda não poderá comparecer a um tribunal devido a seu estado médico. Além dos 78 mortos – houve uma correção em relação ao balanço anterior, que apontava 80 mortos, mas o número pode aumentar por causa dos feridos -, cerca de 130 pessoas foram imediatamente levadas a hospitais. Destas, 95 continuam internadas, 31 em estado grave.

O condutor deverá responder a pelo menos 78 acusações de homicídio por imprudência (para cada uma das vítimas) e outras 130 por lesões dos feridos. A Justiça também vai indicar a responsabilidade da companhia do trem, a Renfe, como empregadora do maquinista. O jornal El País disse, nesta sexta, que o trem “freou tarde demais”.

Alerta – O jornal El País teve acesso a uma gravação entregue ao juiz responsável pelo caso indicando que o condutor recebeu um alerta quando estava a 4 quilômetros de Santiago de Compostela, avisando-o de que deveria diminuir a velocidade para 80 quilômetros por hora. Antes de descarrilar, o maquinista chamou o serviço de emergência do país e avisou que estava dirigindo com o dobro de velocidade. Ele também fala dos “pobres passageiros” e expressa seu desejo “de que não haja mortos”. Resta descobrir por que Garzón não reduziu a marcha antes. Um teste para determinar se ele havia consumido álcool deu negativo.

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Garzón começou a trabalhar na Renfe, a estatal de serviços de transportes ferroviários, há 30 anos, prestando serviços auxiliares. Há dez anos, tornou-se maquinista (depois de um período de três anos como ajudante de maquinista) e estava na linha da região da Galícia há três anos. O secretário-geral do sindicato dos maquinistas, Juan García Fraile, afirmou que Garzón “é um ferroviário com longa trajetória em condução” e, por isso, “deveria conhecer” a estrutura na qual trabalhava.

O trem, da linha que liga Madri a Ferrol, descarrilou na tarde de quarta-feira perto da estação de Santiago de Compostela, na região da Galícia. O governo decretou três dias de luto pela pior tragédia ferroviária do país em 40 anos.

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