Maduro formaliza candidatura à Presidência na Venezuela

Em discurso, presidente interino criticou oposição e disse ser “filho” de Chávez

Por Da Redação - 11 mar 2013, 17h37

Presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro formalizou sua candidatura à presidente nesta segunda-feira, no Conselho Nacional Eleitoral. Ao fazer sua inscrição, com o respaldo do partido governista PSUV e de outras dez legendas, ele entregou seu programa de governo e lembrou o coronel Hugo Chávez, que o apontou como seu sucessor em dezembro, antes de viajar a Havana, Cuba, para realizar uma quarta cirurgia para combater um câncer. O coronel morreu na última terça-feira.

Maduro destacou que o programa de governo é o mesmo que o caudilho anunciou há nove meses, ao se candidatar para a disputa do quarto mandato consecutivo. E prometeu cumpri-lo até 2019. “Não sou Chávez, mas sou seu filho, e, todos juntos, o povo, somos Chávez”, disse.

Entre as propostas, a de tornar o país uma potência, missão que o próprio Chávez dificultou ao longo de 14 anos no poder. O doloroso processo de estatização, sucateamento da indústria e descontrole de gastos públicos minou a riqueza gerada pelo petróleo.

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Desde o início da manhã, vários apoiadores de Chávez foram para o centro de Caracas acompanhar a inscrição do candidato. Em discurso, depois de inscrever sua candidatura para as eleições do dia 14 de abril, o presidente interino fez críticas aos opositores, dizendo que devem abandonar o ódio, “que só os leva pelo caminho da derrota e do enfrentamento”, e chamou a todos a realizara campanha em paz. “Que ninguém inocule o veneno, o rancor e o ódio” da oposição nacional e internacional.

Mas acrescentou que não se deve crer que o povo vai se “render em lágrimas”. “Estamos dispostos, se necessário algum dia, a usar as armas para defender o solo sagrado de Chávez”, disse. “Não achem que porque o povo está de luto vai deixar de combater nas ruas”.

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Candidatura opositora – Pouco depois de Maduro formalizar sua candidatura, representantes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática inscreveram a candidatura presidencial de Henrique Capriles.

Diplomatas expulsos – Depois de a Venezuela ter ordenado que dois adidos militares americanos deixassem o país, na semana passada, o governo americano decidiu lançar mão de uma medida retaliatória e expulsar dois diplomatas venezuelanos.

O segundo secretário Orlando José Montañez Olivares e o funcionário consular Camacaro Mata foram declarados “persona non grata” no fim de semana, e já teriam voltados aos EUA, segundo uma fonte do governo americano que não quis ser identificada.

O anúncio sobre a expulsão dos adidos americanos foi dada pelo então vice-presidente Nicolás Maduro, poucas horas antes de divulgar a notícia sobre a morte de Hugo Chávez. Segundo o governo venezuelano, os diplomatas expulsos tentavam provocar um complô militar contra o mandatário. Maduro também sugeriu que o câncer de Chávez foi provocado por um ataque dos inimigos da Venezuela – declaração considerada absurda por Washington.

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A embaixada dos EUA em Caracas está sem embaixador desde 2010, quando Chávez rejeitou o indicado norte-americano. Isso fez com que Washington revogasse as credenciais do embaixador da Venezuela.

Pouco depois do anúncio sobre a morte de Chávez, o presidente norte-americano, Barack Obama, emitiu um comunicado dizendo que seu país tem interesse em uma “relação construtiva” na era pós-Chávez.

(Com agências Reuters e EFE)

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