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Maduro fala em criar grupo secreto contra a corrupção

Em ato de campanha, oficialista diz que “não há intocáveis” na Venezuela e que denúncias de corrupção contra a ‘burguesia’ serão investigadas

Por Da Redação 8 abr 2013, 20h43

O presidente interino da Venezuela e candidato presidencial, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira que tem pronto um plano contra a corrupção. Segundo ele, o programa prevê a criação de “um corpo secreto especial para lutar contra a corrupção”.

“Já tenho quase tudo pronto. [O corpo secreto] vai sair a investigar, a buscar provas, a perseguir a corrupção onde estiver”, disse o candidato do partido oficial PSUV, acrescentando que o programa foi elaborado com base em instruções dadas pelo coronel Hugo Chávez. O anúncio foi feito depois de acusações por parte da oposição de que os governistas estão saqueando a riqueza proveniente do petróleo.

“Vou perseguir a corrupção esteja onde estiver, vou combater a corrupção com minha vida se for necessário. Aqui não há intocáveis”, afirmou Maduro, em ato de campanha realizado em Maturín, no estado de Monagas, e transmitido pela estatal Venezolana de Televisión.

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O plano, continuou, prevê que denúncias apresentadas pela população serão investigadas. “Vamos organizar um corpo secreto especial para investir as denúncias do povo, onde a burguesia está metendo a colher, corrompendo. Concordam em me ajudar?”, disse a eleitores.

Ele disse ainda que a missão “Eficiência ou Nada”, que será o centro de seu governo, também combaterá a burocracia, por meio do envio de “micromissões, equipes cívico-militares qualificadas, com alto nível científico, para recuperar as coisas que estejam ruins”. Como exemplo, ele disse que as tais micromissões serão enviadas para avaliar as condições dos hospitais do país.

Nos últimos dias, Henrique Capriles, principal opositor de Maduro, prometeu acabar com o favorecimento a aliados do partido governista, que conseguem acesso fácil a benefícios sociais enquanto os que não são próximos às lideranças ficam sempre em listas de espera.

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O combate à corrupção foi uma das bandeiras da campanha de Chávez na primeira eleição do caudilho, em 1998. Naquela década, as classes mais baixas vinham sendo negligenciadas por uma sequência de governos corruptos.

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Ao longo dos 14 anos de governo Chávez, o preço do petróleo disparou, e o coronel transformou a estatal petrolífera PDVSA em um instrumento político do chavismo. A renda da petroleira passou a financiar o assistencialismo que deu origem a uma fiel base eleitoral.

No longo período em que exerceu a presidência da Venezuela, Chávez também acabou com as instituições e criou milícias civis, cujos integrantes atuam como quadrilhas de saqueadores impunes.

No período chavista, o tema corrupção passou a ficar em segundo plano e, quando surgiam acusações, quase sempre os alvos eram líderes da oposição ou desertores do Partido Socialista.

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Denúncias – Capriles, que perdeu a disputa presidencial para Chávez em outubro passado e agora enfrenta o sucessor do caudilho e o clima de luto no país, diz que a Venezuela precisa de um recomeço depois da mais de uma década de Chávez no poder.

O opositor ressalta que as frequentes nacionalizações abriram caminho para funcionários corruptos controlarem a venda de diversos produtos, de cimento a café, e obrigaram compradores a pagar propina para ter acesso às mercadorias.

‘Pacto’ pela aceitação dos resultados – Também nesta segunda-feira, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, assegurou que o sistema eleitoral venezuelano é “inviolável”. A declaração é uma resposta à denúncia apresentada pela oposição de que o partido oficialista tem a senha das urnas eletrônicas.

“Fizemos uma revisão e análise do fato e não detectamos nenhuma irregularidade. Os mecanismos de segurança do sistema eleitoral o fazem inviolável”, disse, segundo o jornal El Nacional. “Todas as medidas que tomamos nos permitem afirmar que o processo eleitoral na Venezuela está blindado”.

Ela disse ainda que será firmado nesta terça-feira um termo de compromisso de reconhecimento de resultados do pleito do próximo dia 14. A proposta de um documento com esses termos foi feita por Maduro. “Se a burguesia ganha as eleições, eu reconheço, mas preparem-se vocês para reconhecer a vitória de Nicolás Maduro. Eu me comprometo a respeitar os resultados em paz”.

As eleições foram convocadas depois da morte de Hugo Chávez, no dia 5 de março. Na prática, o pleito servirá apenas para dar uma fachada democrática ao regime chavista, pois segue inalterado o cenário que impede uma disputa em igualdade de condições entre os candidatos.

(Com agência Reuters)

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