Irã incrementa arsenal bélico com 1.000 drones e promete ‘resposta esmagadora’ aos EUA
Teerã disse estar com 'o dedo no gatilho' caso Trump concretize ameaças e lance ataque ao país no Oriente Médio, em meio a disputa por acordo nuclear
Após reprimir com muita violência uma onda de protestos dentro do país, o regime do Irã advertiu nesta quinta-feira, 29, que apresentará uma “resposta esmagadora” caso se concretize a ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos. O comandante do Exército, Amir Hatami, ordenou a mobilização de mil drones estratégicos nos regimentos de combate, depois do presidente americano, Donald Trump, subir o tom na véspera ao falar em uma “enorme armada” a caminho do Oriente Médio e dizer que o tempo para Teerã fechar um acordo nuclear “está se esgotando”.
“Diante das ameaças que enfrentamos, a prioridade do Exército é manter e reforçar nossa vantagem estratégica para dar uma resposta esmagadora a qualquer ataque”, disse Hatami, citado pela televisão estatal.
O alerta veio depois do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, dizer na quarta-feira que as forças de seu país estão com “o dedo no gatilho” e de Mohammad Akbarzadeh, comandante das forças navais da Guarda Revolucionária, a espada e escudo do regime, ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz, passagem de 50 quilômetros de largura controlada por Irã e Omã, por onde trafegam cerca de 20% do petróleo e gás que abastecem o planeta.
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O jornal Kayhan, próximo ao governo, afirmou nesta quinta-feira que “a República Islâmica do Irã tem o direito de fechar o Estreito de Ormuz”. “Se o inimigo vier com uma espada, não vamos recebê-lo com um sorriso diplomático”, acrescentou a publicação.
As tensões entre Estados Unidos e Irã aumentaram na última semana, com Trump acusando o regime de recusar-se a cooperar e Teerã dizendo que não negocia sob ameaça. Na quarta-feira, o republicano disse que, sem a negociação, Washington atacará Teerã, como fez em 22 de junho do ano passado ao atingir três instalações nucleares, mas desta vez “será muito pior”.
Além da pressão militar americana, que inclui dez navios de guerra no Golfo após a chegada à região do porta-aviões USS Abraham Lincoln, o Irã enfrenta ainda a pressão econômica da União Europeia, que examina a inclusão da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, em sua lista de organizações “terroristas”, com as consequentes sanções e congelamento de ativos.
“Se você atua como terrorista, deve ser tratado como tal”, disse a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, em referência à repressão do governo iraniano contra os manifestantes no início do ano e que, segundo várias ONGs, deixou mais de 6 mil mortos.
Diplomacia
Apesar do teor incendiário das declarações, os diplomatas continuam trabalhando. Aragachi terá reuniões na sexta-feira na Turquia, que pretende assumir um papel de mediação para acalmar a tensão entre Teerã e Washington e evitar um ataque americano. Seu homólogo turco, Hakan Fidan, “reiterará a oposição da Turquia a qualquer intervenção militar contra o Irã e insistirá nos riscos de tal iniciativa para a região e o mundo”, segundo porta-voz.
Ancara, no entanto, se prepara para qualquer cenário e estuda a forma de reforçar sua fronteira em caso de queda do regime iraniano, indicou uma fonte do governo turco à agência de notícias AFP.
Além disso, em uma entrevista à CNN publicada nesta quinta-feira pela agência iraniana IRNA, o presidente do Parlamento da nação persa, Mohammad Bagher Ghalibaf, se declarou aberto a um “diálogo real e no âmbito das regras internacionais” com os Estados Unidos.
“O que vimos até agora é que o presidente americano tenta impor (sua visão). E, se não é aceita, quer impor a guerra”, prosseguiu.
Os Estados do Golfo – aliados de longa data dos Estados Unidos e sede de importantes bases americanas – têm pedido contenção, por temerem ser os primeiros alvos de uma retaliação iraniana.
A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com uma guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano. As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o “fim da ditadura” e a deposição de Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava “a caminho”.
No entanto, as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas. Na semana passada, o presidente americano disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.





