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Inconformado, líder da esquerda mexicana ameaça contestar validade de eleição

Cidade do México, 2 jul (EFE).- O líder da esquerda do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou nesta segunda-feira que as eleições presidenciais de domingo no país estiveram ‘infestadas de irregularidades’ e ameaçou contestar a validade do pleito caso sejam confirmados os resultados parciais conhecidos até agora.

Em entrevista coletiva, López Obrador afirmou que não está disposto a aceitar um ‘resultado fraudulento’ nas eleições, cujos dados parciais sinalizam a derrota da esquerda.

No entanto, quando perguntado se poderia garantir que houve fraude no pleito, respondeu: ‘Temos de reunir os elementos, jamais fazemos uma denúncia se não apresentamos provas’.

López Obrador, candidato presidencial da esquerda, ofereceu sua entrevista coletiva enquanto os resultados preliminares do pleito de domingo lhe davam 31,7% dos votos, de acordo com os dados obtidos após 98% das urnas apuradas.

Estes dados, obtidos da informação transmitida pelas mesas de votação a partir das urnas, dão como virtual vencedor o aspirante do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, com 38,1% dos votos.

Este resultado não tem validade jurídica, pois a contagem dos votos ainda não terminou. Na quarta-feira, nos 300 distritos eleitorais, começará o cômputo oficial somando os resultados de todas as cédulas, e os partidos ou candidatos podem recorrer uma nova apuração em seções determinadas.

Em sua entrevista coletiva, López Obrador ignorou o resultado do Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (Prep) e afirmou que ficará pendente exclusivamente do cômputo oficial das cédulas em cada distrito, que começa na quarta-feira.

Perguntado sobre se impugnaria as eleições caso os dados desse cômputo oficial sejam os mesmos da apuração preliminar conhecida até agora, o esquerdista foi taxativo: ‘Sim, vamos impugná-las’.

Mas também insistiu em esgotar todos os processos legais antes de chegar a uma conclusão final. ‘Como se compreenderá, não posso aceitar nenhum resultado até não ter a certeza de que se respeite o voto dos cidadãos. É imprescindível que não restem dúvidas sobre os resultados, pelo bem do México e de nosso povo’.

Em 2006, quando López Obrador perdeu as eleições presidenciais para o atual líder mexicano, Felipe Calderón, por uma pequena margem de 0,56%, o esquerdista se recusou a reconhecer os resultados e se atribuiu a vitória nas urnas.

Convocou seus simpatizantes a uma mobilização permanente em importantes pontos da capital mexicana, durante três meses, protestos que provocaram desordem na cidade e mancharam a imagem política de López Obrador.

Em sua entrevista coletiva desta segunda-feira, López Obrador denunciou especialmente a suposta compra de votos de parte do PRI.

‘O candidato do PRI usou dinheiro em abundância, bilhões de pesos, de procedência ilícita, e ultrapassou em muito o permitido pela lei’, afirmou o líder da esquerda. ‘Se forem limpos os votos que foram comprados, ganhamos com bastante margem. Não podemos aceitar um resultado fraudulento’.

Perguntado diretamente se estava disposto a acatar os resultados e as decisões dos tribunais eleitorais, desconversou: ‘Não vamos nos antecipar, devemos esperar’.

Enquanto López Obrador oferecia sua entrevista coletiva, nas ruas da capital se manifestavam dezenas de milhares de jovens agrupados pelo movimento YoSoy132, que irrompeu com força na campanha eleitoral pedindo mais liberdade, mais democracia e melhores informações na imprensa.

Na manifestação, que se desenvolveu de forma ordenada e pacífica, os participantes cantavam lemas como ‘Fora Peña’ e levavam cartazes com dizeres como ‘Prefiro morrer de pé do que viver ajoelhado a Peña Nieto’.

A passeata, que percorreu pontos nevrálgicos da capital e gerou um caos no trânsito, foi a maior já protagonida por jovens deste movimento nas últimas semanas.

‘É muito curioso ver que as declarações oficiais falam de uma eleição da qual não tivemos referência para nada, uma eleição transparente, tranquila, em paz, ordenada’, declarou Antonio Attolini, um dos porta-vozes do movimento. EFE