Imprensa estatal do Irã volta atrás e diz que viúva de Khamenei está viva
Anúncio contraria informações divulgadas anteriormente que apontavam Mansoureh Bagherzadeh como morta em decorrência de ataque americano
A agência estatal iraniana de notícias Fars afirmou nesta quinta-feira, 12, que a viúva de Ali Khamenei, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, está viva. O anúncio sobre seu estado de saúde e contraria as informações divulgadas anteriormente pelo mesmo veículo de que a esposa do antigo líder supremo iraniano teria morrido em decorrência dos ataques iniciados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
“Informamos que a esposa do líder da Revolução, falecido em serviço, está viva e que a notícia inicial divulgada sobre seu martírio era incorreta”, disse a imprensa estatal.
De acordo com informações iniciais da mídia iraniana, Bagherzadeh teria morrido no dia 2 de março, dois dias após a ofensiva que vitimou seu marido. Relatos divulgados ao público no período apontavam que a mulher teria entrado em coma devido aos ferimentos, e não resistiu. Embora tal versão tenha sido contradita nesta quinta, não há mais detalhes sobre o estado atual de saúde da viúva de Khamenei.
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Esse não é o primeiro episódio envolvendo informações incorretas sobre o ataque americano a Khamenei. Inicialmente, a mídia local afirmava que o filho, o neto e a nora do líder supremo também haviam sido mortos. No entanto, o herdeiro do clérigo, Mojtaba Khamenei, foi confirmado como vivo posteriormente, embora ferido, e acabou sendo eleito o novo líder supremo do país.
O real estado de saúde de Mojtaba ainda não é totalmente claro. Embora ele tenha feito seu primeiro pronunciamento oficial na televisão estatal do Irã nesta quinta, a declaração foi lida pelo apresentador sem que ele estivesse presente (se pelo ferimento ou pelo temor de que imagens revelassem sua localização, tornando-o alvo fácil para Israel e Estados Unidos, não se sabe). Na peça, o clérigo afirma que “vingará o sangue de seus mártires” e que todas as bases americanas no Oriente Médio devem ser “fechadas imediatamente”.
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A leitura do comunicado do novo líder supremo ocorre um dia após o presidente americano Donald Trump se vangloriar de ter derrubado a liderança do Irã duas vezes, sem entrar em detalhes. “Derrubamos a liderança deles duas vezes. Agora há um novo grupo assumindo. Vamos ver o que acontece com eles”, afirmou o republicano durante uma breve fala a jornalistas na quarta-feira 11.
O conflito entre a coalizão EUA-Israel e o Irã teve início no dia 28 de fevereiro, quando os países ocidentais iniciaram uma série de ataques contra o território iraniano. As nações ofensoras justificaram a operação de forma difusa — a medida visa impedir o desenvolvimento do programa nuclear de Teerã, que pode se tornar uma “ameaça existencial” para Tel Aviv, mas também incapacitar suas capacidades de mísseis balísticos, sua Marinha e, talvez, provocar uma mudança no regime (algo que parece cada vez mais distante).
Como resposta, a República Islâmica promoveu ampla retaliação contra nações do Golfo Pérsico, aliadas de Washington, incluindo Catar, Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.





