Israel diz ter atingido instalação onde acusa Irã de fabricar armas nucleares
Iranianos teriam conduzido atividades militares secretas no complexo de Taleqan, a sudeste de Teerã, para avançar no desenvolvimento de bombas
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciaram ter atacado uma instalação iraniana onde estariam sendo desenvolvidas armas nucleares. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 12, o Exército israelense informou que o Irã utilizava o espaço para “conduzir experimentos secretos de seu Projeto AMAD”, o suposto programa de desenvolvimento de bombas atômicas do país.
O governo israelense e seu principal aliado, os Estados Unidos, há muito acusam Teerã de utilizar seu programa atômico para fins militares, algo que a República Islâmica nega com veemência. Segundo o governo iraniano, seu programa nuclear tem fins apenas civis e energéticos.
De acordo com as IDF, “a Força Aérea Israelense, atuando com base em inteligência precisa das Forças Armadas, atingiu outra instalação do programa nuclear iraniano”. Tel Aviv afirma que o local, referido como complexo de Taleqan, vinha sendo utilizado pelo regime para “avançar em capacidades críticas que visavam o desenvolvimento de armas nucleares”.
🎯STRUCK: The ‘Taleghan’ compound, a site used by the Iranian regime to advance nuclear weapons capabilities.
The compound was used to develop advanced explosives and conduct sensitive experiments as part of the covert ‘AMAD’ project in the 2000s.
— Israel Defense Forces (@IDF) March 12, 2026
O complexo de Taleqan aparentemente faz referência a uma instalação na base de Parchín, a sudoeste de Teerã, alvo de bombardeios nos últimos dias. Segundo o think tank americano Institute for Science and International Security, responsável por monitorar o programa nuclear do Irã, autoridades organizaram atividades militares secretas no local recentemente.
As instalações já haviam sido atacadas pelas IDF em outubro de 2024, como parte de uma retaliação a uma ofensiva iraniana naquele mesmo mês, mas Teerã tomou medidas recentes para “reabilitar o complexo”. Tel Aviv afirma que o bombardeio desta quinta faz parte de uma série de operações destinadas a “prejudicar ainda mais as aspirações nucleares do regime terrorista iraniano”.
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Embora não haja evidências concretas de que haja desenvolvimento de bombas atômicas no Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização ligado às Nações Unidas, disse no início do mês que o Irã usava centrífugas avançadas na planta Natanz para enriquecer o urânio em até 60%, criando um estoque de cerca de 450 kg do material. O patamar está próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba nuclear, e seria suficiente para confeccionar até 10 ogivas.
O programa nuclear iraniano é o centro das hostilidades entre a coalizão EUA-Israel e o Irã. As nações ocidentais acusam Teerã de instrumentalizar seu programa atômico para fins bélicos e buscam impedir qualquer avanço da república islâmica em direção à bomba atômica, que Tel Aviv descreve como “ameaça existencial”. Embora as autoridades iranianas neguem qualquer tipo de projeto militar nuclear, a coalizão desencadeou um ataque conjunto ao país no dia 28 de fevereiro, dando início a um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio.
Dezenas de autoridades iranianas foram mortas no episódio, incluindo o líder supremo do país, Ali Khamenei, e grande parte das infraestruturas militares sob controle de Teerã foi alvejada. Em retaliação, o Irã disparou ataques contra pelo menos nove países vistos como aliados dos Estados Unidos na região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait.





