Ataques de Israel e EUA fizeram mais de 3 milhões iranianos deixarem suas casas, diz ONU
A maioria foge de Teerã e outras grandes cidades para buscar refúgio em zonas rurais ou no norte, uma situação que deve se agravar com escalada da guerra
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) anunciou nesta quinta-feira, 12, que quase 3,2 milhões de iranianos fugiram de suas casas desde o início dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel ao país, em 28 de fevereiro, que deram início a um conflito de múltiplas frentes no Oriente Médio.
“Entre 600 mil e um milhão de famílias iranianas estão deslocados temporariamente dentro do país por causa do conflito em curso, o que representa até 3,2 milhões de pessoas”, afirmou Ayaki Ito, que coordena a equipe de apoio emergencial do Acnur. “A maioria foge de Teerã e de outras grandes cidades para buscar refúgio no norte do país e nas zonas rurais”, acrescentou.
De acordo com Ito, o número deve continuar aumentando enquanto persistirem as hostilidades.
Nesta quinta, 13º dia de conflito, o Acnur também chamou a atenção para a vulnerabilidade de pessoas estrangeiras refugiadas no Irã.
“As famílias de refugiados acolhidas no país, em sua maioria afegãs, também são afetadas. Sua situação precária e suas redes de apoio limitadas as tornam especialmente vulneráveis”, advertiu Ito.
Escalada do conflito
No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva conjunta contra o Irã. A resposta retaliatória de Teerã, que mira países aliados de Washington na região, desencadeou uma guerra que já envolveu 15 países.
As Forças Armadas americanas afirmam ter atingido mais de 3 mil alvos em todas as 31 províncias iranianas, enquanto a República Islâmica revidou disparando cerca de 500 mísseis e 2 mil drones (a maioria interceptados por sistemas de defesa, mas muitos atingiram estruturas importantes como aeroportos e refinarias no Golfo) desde o início das hostilidades. Estima-se que 7,5 milhão de pessoas vivam em um raio de 1 quilômetro de distância de pontos atingidos por mísseis, bombas e drones.
O Líbano, arrastado para o conflito devido a ataques da milícia Hezbollah contra Israel em apoio ao seu aliado Irã, também sofre com deslocamentos forçados. De acordo com o Acnur, mais de 700 mil pessoas deixaram suas casas, particularmente no sul do país, reduto do grupo armado onde o Exército israelense lançou uma operação terrestre junto aos bombardeios aéreos — uma campanha que o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira estar “em expansão”.





