Israel ameaça conquistar o Líbano diante de ataques do Hezbollah
Ministro de Defesa israelense manda Exército se preparar para 'expandir' operações em território libanês, que já deslocaram mais de 700 mil pessoas
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira, 12, que o Exército de seu país pode “tomar território” do Líbano caso as autoridades do país não consigam impedir ataques do Hezbollah, milícia apoiada e financiada pelo Irã, contra Israel. Ele também afirmou ter ordenado que as Forças Armadas se preparem para “expandir” as operações no sul libanês, uma das muitas frentes de guerra no Oriente Médio.
“O primeiro-ministro (Benjamin Netanyahu) e eu instruímos o Exército israelense a se preparar para expandir as operações no Líbano e restaurar a paz e a segurança nas comunidades do norte”, declarou Katz em um comunicado. “Avisei ao presidente do Líbano (Joseph Aoun) que, se o governo libanês não souber como controlar o território e impedir que o Hezbollah ameace as comunidades do norte e dispare contra Israel, tomaremos o território e faremos isso nós mesmos”, completou ele em uma avaliação da situação, segundo o comunicado de seu ministério.
De acordo com as Nações Unidas, o conflito entre a milícia libanesa e o Exército israelense, que começou em 2 de março com ataques retaliatórios do Hezbollah em apoio ao Irã devido à morte do líder supremo Ali Khamenei, levou ao deslocamento de mais de 700 mil libaneses, incluindo 200 mil crianças. O Ministério da Saúde libanês contabilizou 634 mortos (entre eles, mais de 80 crianças, segundo o Unicef), enquanto dois soldados israelenses perderam a vida em combates no sul do Líbano.
Pedido de negociação
No início desta semana, Aoun pediu negociações diretas com Israel para encerrar o conflito com o Hezbollah, apresentando um plano de quatro passos para conter as hostilidades. A proposta envolveria uma “trégua completa”, que coincidiria com o desarmamento do Hezbollah e assistência internacional às Forças Armadas libanesas para ajudá-las a retomar o controle de “áreas de tensão”. Simultaneamente, segundo ele, Líbano e Israel iniciariam negociações diretas “sob patrocínio internacional”.
O presidente libanês também destilou críticas incomumente intensas contra o grupo xiita por arrastar o país para a guerra no Oriente Médio. Referindo-se ao Hezbollah como uma “facção armada”, Aoun disse que seu comando “não dá importância aos interesses do Líbano nem à vida de seu povo” e deseja o “colapso do Estado libanês sob agressão e caos”.
O governo Netanyahu demonstrou pouco apoio a um processo diplomático e, nesta madrugada, suas forças bombardearam uma zona costeira do centro de Beirute, deixando sete mortos — segundo o Exército de Israel, foi “uma ampla onda de ataques contra infraestruturas terroristas”. O Hezbollah, por sua vez, anunciou que havia atacado uma base de inteligência militar israelense em Glilot, subúrbio de Tel Aviv, “com uma série de mísseis avançados”.
+ Grupo de direitos humanos acusa Israel de usar fósforo branco em ataques ao Líbano
Anteriormente, o primeiro-ministro israelense imputou apenas ao Líbano a responsabilidade por desmantelar o Hezbollah e fazer o grupo entregar suas armas.
“É sua responsabilidade fazer cumprir o acordo de cessar-fogo e é sua responsabilidade desarmar o Hezbollah”, ele disse, referindo-se ao pacto selado em 2024 para encerrar mais de um ano de hostilidades com a milícia xiita, que atacou o país em apoio ao Hamas no âmbito da guerra em Gaza.
A trégua, mediada pelos Estados Unidos e França, tem sido violada parte a parte desde então. Israel continuou realizando ataques quase diários ao Líbano, acusando o Hezbollah de tentar se rearmar e retomar território em seus antigos redutos do sul. E, dois dias após o início da ofensiva EUA-Israel contra o Irã, o grupo libanês entrou no conflito disparando foguetes e drones contra o norte israelense, que descreveu como retaliações pelo assassinato de Khamenei (não só líder supremo do Irã, mas uma importante autoridade religiosa para todos os xiitas).
Israel, então, afirmou que os ataques sofridos justificavam a abertura de uma campanha mais ampla contra o grupo, incluindo repetidos ataques aéreos e incursões terrestres no Líbano. O governo Netanyahu declarou que a operação continuará até que o grupo seja desarmado; o Hezbollah afirmou que continuará disparando contra o território israelense, custe o que custar.





