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Grupo de direitos humanos acusa Israel de usar fósforo branco em ataques ao Líbano

Uso da substância tóxica é ilegal sob o direito internacional e pode causar queimaduras graves e danos aos pulmões

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 mar 2026, 15h13 • Atualizado em 9 mar 2026, 15h39
  • A organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou, nesta segunda-feira, 9, Israel de usar munições de fósforo branco de forma ilegal sobre áreas residenciais no sul do Líbano, em meio à escalada recente do conflito na fronteira com o grupo xiita libanês Hezbollah.

    Segundo relatório, a organização afirmou ter verificado evidências do uso da substância incendiária em 3 de março na cidade de Yohmor. Imagens analisadas e geolocalizadas pela ONG mostram projéteis de artilharia contendo fósforo branco explodindo no ar sobre um bairro residencial.

    “A Human Rights Watch identificou o formato da nuvem de fumaça causada pelas explosões na imagem como totalmente compatível com a marca deixada pela expulsão e detonação das cargas do projétil de artilharia de 155 mm da série M825, que contém fósforo branco”, afirmou a entidade.

    De acordo com a organização, as imagens mostram ao menos dois projéteis detonando no ar. Esse tipo de explosão pode dispersar mais de uma centena de elementos em chamas em um raio de até 250 metros, aumentando o risco para moradores e estruturas civis.

    A HRW também analisou fotografias publicadas nas redes sociais por equipes de defesa civil ligadas ao Comitê de Saúde Islâmico de Yohmor, associado ao Hezbollah. As imagens mostram bombeiros combatendo incêndios em telhados de casas e em um veículo, além de fumaça saindo das varandas de um imóvel.

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    “O uso ilegal de fósforo branco sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências graves para civis”, afirmou Ramzi Kaiss, pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano. Segundo ele, os efeitos incendiários da substância podem causar morte ou ferimentos severos que deixam sequelas permanentes.

    O fósforo branco é uma substância química que entra em combustão ao entrar em contato com o oxigênio. Disperso em bombas, foguetes ou projéteis de artilharia, pode provocar incêndios, além de causar queimaduras graves e danos aos olhos e aos pulmões. Embora tenha usos militares para sinalização ou criação de cortinas de fumaça, o direito internacional humanitário considera ilegal seu emprego de forma indiscriminada em áreas povoadas.

    Horas antes do ataque, o porta-voz militar israelense, Avichay Adraee, havia ordenado a evacuação de moradores de Yohmor e de dezenas de outras localidades da região, orientando que se afastassem pelo menos um quilômetro das áreas habitadas.

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    O Líbano foi arrastado para a guerra na região depois que o Hezbollah, aliado do Irã, lançou mísseis contra Israel na semana passada em resposta aos ataques de Israel e Estados Unidos contra Teerã. O ministro da Saúde libanês, Rakan Rakan Naseredin, anunciou em uma entrevista coletiva no domingo que os bombardeios israelenses no Líbano mataram 394 pessoas em uma semana, incluindo 83 crianças e 42 mulheres. 

    Em nota, a HRW pediu que aliados de Israel, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, suspendam assistência militar e pressionem o país a interromper o uso desse tipo de munição em áreas povoadas.

    A Human Rights Watch já havia documentado o uso generalizado de fósforo branco pelas forças armadas israelenses entre outubro de 2023 e maio de 2024 em aldeias fronteiriças no sul do Líbano, o que, segundo a entidade, colocou civis em grave risco e contribuiu para deslocamentos em massa. Na época, os militares israelenses afirmaram que a utilização desta polêmica arma contra militantes armados em Gaza e no Líbano era legal.

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