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Hamas aceita libertar todos os reféns detidos em Gaza, mas não carimba plano de Trump

Grupo palestino quer abrir negociações por meio de mediadores para alinhar pontos de discordância; presidente dos EUA tinha dado ultimato para resposta

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 out 2025, 17h08 • Atualizado em 3 out 2025, 17h46
  • O Hamas deu uma primeira resposta nesta sexta-feira, 3, à proposta para a paz em Gaza apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início da semana. O grupo palestino se disse pronto para libertar todos os reféns israelenses – tanto os vivos quanto os mortos –, de acordo com o plano do líder americano. No entanto, não seu sua chancela total a todos os 20 pontos do roteiro delineado pelo ocupante da Casa Branca.

    “Neste contexto, o movimento afirma sua prontidão para entrar imediatamente em negociações por meio de mediadores para discutir os detalhes deste acordo”, disse o Hamas em um comunicado compartilhado no Telegram.

    Acredita-se que haja 48 reféns ainda em cativeiro, vinte dos quais estariam vivos. Em contrapartida, o grupo pede o fim permanente da guerra em Gaza e a retirada completa das forças israelenses do enclave.

    O comunicado também afirmou que concorda em entregar a administração de Gaza a uma comissão independente de tecnocratas composta por palestinos qualificados e especialistas internacionais, “com base no consenso nacional palestino e no apoio árabe e islâmico”. De acordo com o plano, a supervisão desse grupo seria feita por um novo órgão internacional de transição, o “Conselho da Paz”, presidido pelo próprio Trump e que incluiria outros membros e chefes de Estado, como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

    “Outras questões mencionadas na proposta do presidente Trump em relação ao futuro da Faixa de Gaza e aos direitos legítimos do povo palestino estão relacionadas a uma posição nacional unificada e às leis e resoluções internacionais relevantes”, disse o Hamas. Elas, segundo o comunicado, “serão abordadas por meio de uma estrutura nacional palestina abrangente, na qual o Hamas participará e contribuirá de forma responsável”.

    Isso indica, portanto, que o grupo não está lá muito disposto a cumprir pelo menos um dos pontos da proposta: de se afastar completamente da política do enclave, que domina desde 2006. Entre os vinte pontos, foi destacado que a organização deve concordar em “não ter qualquer papel na governança de Gaza, direta, indireta ou de qualquer forma”. O texto também não menciona nada sobre entregar todas as armas, outra demanda do roteiro.

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    Na terça-feira 30, quando questionado por repórteres se o Hamas teria espaço para propor mudanças, Trump respondeu de forma vaga: “Não muito”, disse ele.

    Divisões internas

    Mais cedo nesta sexta, o Hamas havia dito que precisava de mais tempo para estudar o plano, mas Trump fez um ultimato, dando até às 19h de domingo, dia 5, para uma resposta final. Em caso de rejeição, ele ameaçou que “um inferno como nunca antes visto” cairá sobre Gaza.

    As autoridades do grupo palestino estão divididas: a ala política, que negocia em Doha, no Catar, tende a aprovar a proposta; a militar, baseada em Gaza, demonstra resistência. Um alto funcionário do Hamas afirmou à agência de notícias AFP nesta sexta que o primeiro grupo “apoia a aprovação incondicional, já que a prioridade é um cessar-fogo sob as garantias de Trump, com os mediadores garantindo que Israel implemente o plano”. Mas as lideranças militares, disse ele, “têm sérias reservas em relação às cláusulas principais”.

    “Eles são a favor da aprovação condicional, com esclarecimentos que reflitam as demandas do Hamas e das facções da resistência”, afirmou a fonte, que pediu anonimato para discutir o assunto sensível.

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    O que está na proposta?

    O plano de 20 pontos anunciado por Trump colocaria fim na guerra em Gaza, que já matou 66 mil palestinos — entre eles, 440 por fome, incluindo 147 crianças.

    Libertação dos reféns e retirada israelense: O documento estabelece que, caso ambos os lados concordem com o plano, as “forças israelenses se retirarão para a linha acordada para se preparar para a libertação dos reféns”, ao passo que o Hamas terá até 72 horas para entregar os sequestrados, vivos e mortos. Durante esse período, todas as operações militares serão suspensas, e as linhas de batalha permanecerão congeladas até que haja uma retirada completa e gradual de soldados.

    Libertação de palestinos: Com a soltura dos reféns, o governo israelense libertará “250 prisioneiros condenados à prisão perpétua, além de 1.700 moradores de Gaza detidos após 7 de outubro de 2023, incluindo todas as mulheres e crianças detidas naquele contexto”. O documento também determina que “para cada refém israelense cujos restos mortais forem libertados, Israel libertará os restos mortais de 15 moradores de Gaza falecidos”.

    Entrada de ajuda: Em paralelo, Israel permitirá a entrada imediata de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. O plano indica que “no mínimo, as quantidades de ajuda serão consistentes com o que foi incluído no acordo de 19 de janeiro de 2025 sobre ajuda humanitária, incluindo a reabilitação da infraestrutura (água, eletricidade, esgoto), a reabilitação de hospitais e padarias e a entrada de equipamentos necessários para remover escombros e abrir estradas”. A distribuição ficará a cargo das Nações Unidas e suas agências, e do Crescente Vermelho, além de outras instituições internacionais. “A abertura da passagem de Rafah em ambas as direções estará sujeita ao mesmo mecanismo implementado pelo acordo de 19 de janeiro de 2025”, informa o texto.

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    Fim da ocupação: O plano aponta que Israel não ocupará ou anexará Gaza, já que “as IDF se retirarão com base em padrões, marcos e prazos vinculados à desmilitarização”, acordados com os EUA, com “objetivo de uma Gaza segura que não represente mais uma ameaça a Israel, ao Egito ou aos seus cidadãos”. Na prática, diz a proposta, o Exército israelense entregará progressivamente o território de Gaza que ocupa, até que se retirem completamente, “exceto por uma presença no perímetro de segurança que vai se manter até que Gaza esteja devidamente protegida de qualquer ameaça terrorista ressurgente”.

    Desradicalização de Gaza: o território deverá ser uma zona “desradicalizada”, ou seja, sem grupos radicais. O enclave passará por reconstrução com apoio de um comitê composto por palestinos qualificados e especialistas internacionais.

    “Governo” de transição: A supervisão será feita por um novo órgão internacional de transição, o “Conselho da Paz”, que será presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados, incluindo o ex-primeiro-ministro Tony Blair. Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua um programa de reformas e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Até então, Gaza será “governada sob a governança transitória temporária de um comitê palestino tecnocrático e apolítico, responsável por administrar diariamente os serviços públicos e os municípios para o povo de Gaza”.

    Reconstrução: Trump falou em um plano de desenvolvimento para “reconstruir e energizar Gaza” por meio da “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Oriente Médio”, enquanto “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.

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    Anistia ao Hamas: Militantes “que se comprometerem com a coexistência pacífica e a desmantelar suas armas receberão anistia” e “membros do Hamas que desejarem deixar Gaza receberão passagem segura para os países receptores”. Isso desde que o grupo e outras facções concordem em não ter qualquer papel na governança de Gaza, direta, indireta ou de qualquer forma.

    Desmilitarização: “Toda a infraestrutura militar, terrorista e ofensiva, incluindo túneis e instalações de produção de armas, será destruída e não reconstruída”, diz a proposta. “Haverá um processo de desmilitarização de Gaza sob a supervisão de monitores independentes, que incluirá a desativação permanente de armas por meio de um processo acordado de descomissionamento, apoiado por um programa de recompra e reintegração financiado internacionalmente, todos verificados pelos monitores independentes”, continua o texto.

    Criação do Estado da Palestina: O plano diz que “um processo de diálogo interreligioso será estabelecido com base nos valores de tolerância e coexistência pacífica para tentar mudar mentalidades e narrativas de palestinos e israelenses, enfatizando os benefícios que podem ser derivados da paz”. Embora não preveja a fundação da Palestina, o texto diz que, “as condições podem finalmente estar reunidas para um caminho confiável para a autodeterminação e a criação de um Estado palestino”.

    Sem deslocamento: O documento também afirma que “ninguém será forçado a deixar Gaza, e aqueles que desejarem sair serão livres para fazê-lo e retornar”, destacando: “Incentivaremos as pessoas a ficar e ofereceremos a elas a oportunidade de construir uma Gaza melhor”.

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