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Gravação aponta conspiração governista contra Maduro

Oposição divulgou áudio de conversa entre apresentador de TV e chefe do serviço secreto cubano apontando um plano coordenado por Diosdado Cabello contra o herdeiro político de Hugo Chávez

A oposição venezuelana divulgou nesta segunda-feira um registro de áudio que revela uma conspiração dentro do governo contra o presidente Nicolás Maduro. O conluio seria coordenado pelo chefe da Assembleia Nacional e vice-presidente do partido governista, o PSUV, Diosdado Cabello. A gravação registra a conversa do apresentador de TV Mario Silva com Aramis Palacios, um dos chefes do G2, o serviço secreto cubano, e seria destinada ao ditador cubano, Raúl Castro.

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No áudio, Silva explica que Cabello, um ex-tenente que participou ao lado do coronel Hugo Chávez do fracassado golpe de Estado de 1992, controla vários órgãos de segurança, entre eles o Serviço Bolivariano de Inteligência. Acrescenta que o que “interessa a ele são o dinheiro e o poder”. “A única forma de deter Diosdado é mostrar que ele é um corrupto e que exista uma prova confiável de que o comandante [Chávez] sabia disso”, adverte Silva.

O jornalista acrescenta que Maduro está preso em uma “armadilha” e corre o risco de perder o controle das Forças Armadas para Cabello, o que poderia levar a um golpe de Estado. “Têm que se sentar com Maduro e dizer a ele as coisas. Quase disse a Maduro (que) há uma conspiração, mas não sei qual vai ser a sua reação, pode ser contraproducente”. O apresentador também alertou sobre divisões entre militares e sobre a desconfiança da primeira-dama Cilia Flores em relação ao ministro da Defesa, Diego Molero, por acreditar que ele pretende dar um golpe.

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Silva também acusa o presidente da Assembleia Nacional de corrupção e de lavagem de dinheiro por meio de “empresas de fachada”. “Há ministros aqui que não sabem sequer o que fazer. E o mais provável é que estejam roubando, Palacios, porque acham que isto vai desmoronar”.

O deputado opositor Ismael García afirmou que a gravação mostra uma “situação de extrema gravidade” e disse que Raúl Castro “orienta e dirige a política” da Venezuela. Mario Silva disse que o áudio é uma montagem. Cabello postou em seu perfil no Twitter palavras de Chávez: “União, Luta, Batalha e Vitória”.

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Divergências – O risco de ruptura entre os governistas já era apontado por especialistas antes mesmo de Maduro vencer a eleição presidencial realizada depois da morte de Hugo Chávez – vitória que é contestada pela oposição, que aponta irregularidades no processo de votação. Se Maduro e Cabello unificaram o discurso durante o período de convalescência do coronel, para enganar a população e tentar mostrar que Chávez ainda comandava o país, depois do pleito as diferenças entre os dois poderia aflorar. Maduro conta com o apoio dos irmãos Castro, que consideram o herdeiro político do caudilho uma garantia de continuidade do financiamento venezuelano a Cuba. Cabello tem melhor trânsito no setor militar.

(Com agência AFP)