França mobiliza caças e Reino Unido estuda enviar navio de guerra contra ataques do Irã
Conflito no Oriente Médio escala em meio a retaliação iraniana contra países da região com bases militares ocidentais
A França mobilizou nesta terça-feira, 3, caças Rafale sobre os Emirados Árabes Unidos para proteger suas bases aéreas e navais de ataques do Irã, enquanto o Reino Unido estuda enviar um navio de guerra ao Chipre, onde uma instalação militar britânica foi atingida por drones iranianos. Os movimentos representam uma escalada no conflito no Oriente Médio, iniciado pela onda de ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, que respondeu retaliando países da região que abrigam ativos militares ocidentais.
“(Os caças Rafale) realizaram operações para garantir a segurança do espaço aéreo sobre nossas bases”, disse Jean-Noël Barrot, ministro das Relações Exteriores francês, à emissora BFMTV, acrescentando que “um hangar em uma base francesa nos Emirados Árabes Unidos foi atingido por um drone” no domingo.
Desde 2009, a França mantém uma instalação militar permanente nos Emirados Árabes Unidos, que consiste em uma base aérea em Al Dhafra, uma base naval no porto de Mina Zayed, em Abu Dhabi, e um centro de treinamento de tropas no deserto emiradense.
O secretário de Defesa britânico, John Healey, também afirmou nesta terça-feira que seu país está considerando enviar o navio de guerra da Marinha Real HMS Duncan para o Chipre com o objetivo de defender a base aérea de Akrotiri de possíveis ataques futuros.
Embora uma decisão final ainda não tenha sido tomada, diversas fontes afirmaram ao jornal britânico The Guardian que o destacamento da embarcação, atualmente em Portsmouth, está sendo discutido como forma de melhor proteger a base cipriota. O HMS Duncan é especializado em operações de combate a drones e, no mês passado, participou de um exercício que simulou defesas contra enxames desses aparelhos não tripulados na costa do País de Gales.
Ainda de acordo com o Guardian, acredita-se que os drones que atingiram a base de Akrotiri tenham sido disparados pelo Hezbollah, milícia libanesa que entrou no conflito em apoio ao Irã, seu maior aliado.
Conflito no Oriente Médio
A mobilização de países ocidentais ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeado no último final de semana por ataques dos Estados Unidos e Israel contra território iraniano. Em resposta, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que os sistemas de defesa aérea do país interceptaram e destruíram nove mísseis balísticos, seis mísseis de cruzeiro e 148 drones em meio aos ataques de retaliação do Irã na segunda-feira.
Desde o início dos ataques, um total de 174 mísseis balísticos, oito mísseis de cruzeiro e 689 drones foram detectados em direção ao país, tornando os Emirados Árabes Unidos a nação do Golfo Árabe mais visada por Teerã. O país condenou os ataques, descrevendo-os como uma grave violação da soberania nacional e do direito internacional. Além disso, entre a segunda e esta terça-feira, as embaixadas americanas no Kuwait e na Arábia Saudita foram alvo de ataques com drones, levando o Departamento de Estado dos Estados Unidos a ordenar que funcionários diplomáticos não essenciais deixem seis países do Oriente Médio com suas famílias. As missões foram fechadas temporariamente.
Apesar da retaliação iraniana continuar, na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, assegurou que não há “nenhuma hostilidade” em relação aos vizinhos do Golfo.
“O Irã não tem nenhuma hostilidade em relação aos países do Golfo Pérsico e está determinado a manter relações de boa vizinhança com eles”, afirmou ele em conversa telefônica com seu homólogo chinês, Wang Yi. “A retaliação defensiva do Irã contra as bases militares americanas não deve ser considerada um ataque iraniano contra esses países”, acrescentou.






