Após ataques, Exército israelense abre incursão terrestre no sul do Líbano
Ministro da Defesa de Israel ordena avanço para impedir ataques do Hezbollah, que dispara contra o país em apoio ao Irã, seu aliado
Forças israelenses entraram em uma área fronteiriça no sul do **Líbano** nesta terça-feira, 3, informou uma fonte do Exército libanês à agência de notícias AFP, logo após o ministro da Defesa israelense ordenar que seus militares “avançassem e assumissem o controle de posições estratégicas adicionais”.
“Tropas terrestres israelenses avançaram das planícies de Kfarkila e Khiam”, perto da fronteira entre **Israel** e Líbano, disse a autoridade à AFP, que pediu anonimato.
A fonte militar expressou preocupação com “a intenção de Israel de estabelecer um amplo perímetro de segurança no sul do Líbano”. Em seguida, o Exército israelense confirmou que está criando uma “zona de segurança” na região.
“O Comando Norte continuou avançando e está criando uma zona de segurança, como prometemos, entre nossos habitantes e qualquer tipo de ameaça”, afirmou Effie Defrin, porta-voz das Forças Armadas israelenses.
Mais cedo, o ministro Israel Katz havia instruído que o Exército israelense “tome o controle” de novas posições no país vizinho, após iniciar, na véspera, uma campanha de bombardeios contra a milícia libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irã. O grupo xiita começou lançando foguetes e drones ao território israelense para vingar o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no último sábado, ao que Israel respondeu rapidamente com bombardeios a bairros do sul de Beirute e dezenas de povoados no sul do Líbano, dois redutos do Hezbollah.
Trocas de ataques
Os ataques israelenses prosseguiram nesta terça-feira e o Hezbollah, em sua contraofensiva, afirmou ter lançado drones e foguetes contra três bases militares israelenses. A explosão de violência obrigou ao deslocamento de pelo menos 30 mil pessoas, segundo as Nações Unidas.
“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu autorizamos o Exército israelense a avançar e tomar o controle de posições estratégicas adicionais no Líbano, para impedir ataques contra as localidades israelenses de fronteira”, afirmou o ministro da Defesa em comunicado.
O Exército israelense anunciou que seus soldados foram mobilizados em “vários pontos” do sul do Líbano. Nadav Shoshani, porta-voz internacional das Forças Armadas, inicialmente negou se tratar de uma operação terrestre, mas sim uma “medida tática destinada a garantir a segurança de nosso povo”, para impedir ataques do Hezbollah contra civis.
As forças israelenses mantinham militares em cinco posições consideradas estratégicas no território libanês desde o cessar-fogo de novembro de 2024, que pausou meses de combates entre Israel e o Hezbollah, embora tenha sido alvo de violações parte a parte desde então.
A trégua foi colocada em xeque de forma mais decisiva desde o sábado 28, quando o Oriente Médio tornou-se palco de uma guerra aérea iniciada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Os bombardeios mataram dezenas de oficiais iranianos de alta patente, incluindo o líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei. Teerã respondeu com bombardeios em todo o Golfo e contra Israel.
Guerra escala
O que começou como uma guerra entre o Irã, de um lado, e os Estados Unidos e Israel, do outro, transformou-se em um conflito regional com uma velocidade vertiginosa, com novas frentes sendo abertas a cada dia.
O grupo pró-Irã Hezbollah continuou a atacar Israel nesta terça, afirmando ter lançado duas salvas de mísseis durante a noite contra bases militares no norte do país vizinho. Em resposta, as forças israelenses continuaram realizando ataques e emitindo ordens para que libaneses esvaziem vilarejos, gerando um êxodo entre as populações ao sul do rio Litani e transformando os subúrbios do sul de Beirute em cidades fantasma.
Nesta manhã, Katz afirmou ter instruído os soldados israelenses a “manterem posição e avançarem” em áreas do sul do Líbano para impedir novos ataques do Hezbollah. Enquanto isso, os Estados Unidos e Israel continuaram seus ataques contra o Irã: as Forças Armadas americanas alegaram terem destruído instalações de comando e controle da Guarda Revolucionária Islâmica, o Exército ideológico do país. Já os iranianos atingiram a embaixada americana em Riad com drones, provocando um pequeno incêndio.





