Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Forças contra e leais a Kadafi se enfrentam em Bani Walid

Há suspeitas de que ali estejam escondidos dois dos filhos do ex-ditador líbio

Por Da Redação 8 set 2011, 15h12

Forças leais a Muamar Kadafi e tropas dos opositores líbios entraram em combate nas últimas horas nos arredores de Bani Walid, onde podem estar escondidos Saif al Islam e Saadi, dois dos filhos do ditador líbio. Fontes militares dos insurgentes informaram que pelo menos cinco foguetes partiram de dentro da cidade em direção a postos dos rebeldes, que nas últimas horas reforçaram sua presença com um novo batalhão.

Entenda o caso

  1. • A revolta teve início no dia 15 de fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram um protesto em Bengasi, cidade que viria a se tornar reduto da oposição.
  2. • No dia 27 de março, a Otan passa a controlar as operações no país, servindo de apoio às tropas insurgentes no confronto com as forças de segurança do ditador, que está no poder há 42 anos.
  3. • Após conquistar outras cidades estratégicas, de leste a oeste do país, os rebeldes conseguem tomar Trípoli, em 21 de agosto, e, dois dias depois, festejam a invasão ao quartel-general de Kadafi.
  4. • A caçada pelo coronel continua. Logo após ele divulgar uma mensagem em que diz que resistirá ‘até a vitória ou a morte’, os rebeldes ofereceram uma recompensa para quem o capturar – vivo ou morto.

Leia mais no Tema ‘Confrontos na Líbia’

As mesmas fontes indicaram que uma unidade se aproximou do local e que pelo menos dois aliados de Kadafi morreram e um soldado rebelde ficou ferido em uma troca de tiros. O novo confronto armado aconteceu apenas 48 horas antes do fim do ultimato dado pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) aos combatentes pró-Kadafi para que entreguem as armas e deixem Bani Walid. O Tribunal Penal Internacional (TPI) também pediu nesta quinta-feira à Interpol que emita uma “circular vermelha” para prender Kadafi por crimes contra a humanidade.

Além disso, coincide com a divulgação de uma nova mensagem de áudio de Kadafi, na qual nega as informações de que procura asilo no Níger ou em outro país e insiste que permanecerá na Líbia disposto a batalhar para recuperar o poder. Na gravação, que como as anteriores foi divulgada pela rede de televisão síria Al Rai, o líder líbio disse que o comboio que nesta semana chegou ao Níger dirigido por líderes tuaregues, e que encorajou as especulações sobre sua fuga, “não é o primeiro que entra ou sai” do país africano.

Kadafi – As notícias sobre o paradeiro de Kadafi e de seus filhos são confusas desde que em 21 de agosto as tropas rebeldes invadiram Trípoli e em apenas uma semana conquistaram a capital. Desde então, foi dito que o líder líbio estaria em Sirte, sua cidade natal, como em Bani Walid, Sebha e inclusive em uma região desértica próxima à fronteira com o Chade e o Níger.

A entrada, há poucos dias, de um grande comboio militar líbio carregado de ouro e dinheiro neste último país aumentou as especulações sobre a possibilidade de que Kadafi e seus filhos estivessem buscando refúgio em Burkina Fasso. No entanto, o Governo de Niamey negou que o líder líbio estivesse na caravana, enquanto seu vizinho do sul afirmou o mesmo sobre a possibilidade de Kadafi estar exilado em seu território. Responsáveis pela captura de Kadafi sugerem que a única razão para explicar a resistência de Bani Walid é que em seu interior se encontram tanto Saif Al Islam como seu irmão Saadi, e inclusive o próprio ditador “escondido em um buraco”.

Enquanto isso, as poucas notícias que chegam da cidade descrevem um panorama dramático. Aparentemente, a cidade está sem energia elétrica há dias, além de estar sem água corrente, remédios e comunicações, que foram cortadas pelas tropas leais a Kadafi, que mantêm a população aterrorizada e isolada do que ocorre no resto do país. Frente a esta situação e perante o possível ataque à cidade no sábado, os rebeldes instalaram nos arredores de Bani Walid um hospital de campanha dotado com abundante material de primeiros socorros e pessoal médico especializado.

(Com agência EFE)

Continua após a publicidade
Publicidade