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Ex-vigia que matou adolescente na Flórida é absolvido

George Zimmerman diz que agiu em defesa própria ao matar Trayvon Martin

O ex-vigia voluntário George Zimmerman, de 29 anos, que matou o adolescente negro Trayvon Martin, de 17 anos, em 2012, na Flórida (EUA), foi absolvido neste sábado. A decisão provocou protestos em várias cidades dos Estados Unidos, entre elas Nova York e Los Angeles, em um caso que acirrou o ódio associado a divisões raciais e chegou a ser explorado na disputa pela Casa Branca no ano passado.

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O julgamento levou duas semanas, e o júri, composto por seis mulheres, deliberou por 16 horas até chegar ao veredicto unânime. Zimmerman, de mãe peruana, poderia pegar até prisão perpétua pela morte de Martin.

A promotoria retratou Zimmerman como um vigilante comunitário que “se achava policial” e que perseguiu Martin, um estudante de 17 anos sem passagem pela polícia, por vê-lo caminhando na chuva com um capuz na cabeça e presumir que o rapaz “não era nada bom”. Zimmerman chegou a ligar para a polícia e recebeu a orientação de não perseguir o “suspeito”, mas não obedeceu, e abordou o rapaz. O promotor Bernie de la Rionda descreveu a vítima como um rapaz inocente identificado erroneamente como um criminoso por Zimmerman, “que o matou porque quis”. Na sustentação oral, sexta-feira, o promotor John Guy tentou mostrar que o vigilante agiu motivado pelo ódio e mostrou “indiferença à vida humana”.

Porém, sobre a decisão final do júri pesou mais a versão apresentada pelo advogado de Zimmerman, segundo a qual o vigia agiu em legítima defesa. Segundo a defesa, Martin deu um soco no nariz de Zimmerman e o empurrou. Zimmerman caiu, continuou sendo agredido e por isso atirou.

Durante as duas semanas de sessões, o júri escutou várias testemunhas, incluindo policiais, legista e vizinhos da cidade onde aconteceu a morte que comoveu os Estados Unidos. No entanto, nenhuma das testemunhas que compareceram ao julgamento viu como o incidente começou. Mark O’Mara, advogado do vigilante, lembrou ao júri que bastava uma “dúvida razoável” para declarar seu cliente inocente das acusações.

O assassinato de Martin provocou intensos debates sobre a questão racial e também sobre o controle de armas nos Estados Unidos. A polícia demorou 44 dias para prender Zimmerman, em parte porque o vigia invocou uma lei estadual de 2005 que autoriza o uso de força letal em caso de ameaça à vida. O caso também foi explorado politicamente. À época, o presidente Barack Obama disse que, se tivesse um filho, ele se pareceria com Martin, o que lhe valeu críticas de republicanos.

(Com agência EFE)