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Ex-policial acusado de crimes durante ditadura argentina é preso no Brasil

Roberto Óscar González responde por sequestro, tortura, genocídio e associação a grupo terrorista

Por Da Redação 8 jul 2015, 19h49

A Polícia Federal capturou em Porto Alegre o ex-policial argentino Roberto Óscar González, procurado pela Interpol e acusado de crimes contra a humanidade durante a ditadura militar na Argentina. O governo argentino oferecia uma recompensa de 60.000 dólares (194.000 reais) por informações que levassem ao paradeiro do ex-policial, de 64 anos, que responde por crimes como sequestro, cárcere privado, tortura, ameaça, genocídio, associação a grupo terrorista e roubo qualificado, entre outros, segundo um comunicado da Polícia Federal.

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González foi detido na segunda-feira em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, durante uma operação de inteligência que descobriu que o ex-policial estava foragido junto com outro ex-agente argentino, Pedro Osvaldo Salvia, de 63 anos, acusado dos mesmos crimes e que morreu no dia 17 de junho em um hospital no Brasil. “Os dois eram procurados no Brasil há mais de dez anos e foram localizados em Viamão, onde viviam”, diz o comunicado.

O ex-policial foi conduzido à carceragem da Polícia Federal em Porto Alegre e será encaminhado a uma penitenciária da região até que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie sobre sua extradição. O STF já tinha recebido um pedido de extradição da Argentina devido às suspeitas de que o foragido estivesse no país e ordenou sua detenção com fins de extradição. O corpo do outro policial se encontra no Instituto Médico Legal de Porto Alegre.

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Em 1976 os militares tomaram o poder das mãos de Maria Estela Martínez de Perón, terceira esposa do ex-presidente Juan Perón, por meio de um golpe. O governo da Junta Militar só acabou em 1983, após a derrota da argentina para a Inglaterra na Guerra das Malvinas. Os crimes ocorridos no período foram declarados imprescritíveis pela Justiça argentina em 2007. Segundo números oficiais, em torno de 18.000 pessoas desapareceram durante a última ditadura militar no país, mas algumas organizações de direitos humanos estimam que o número de vítimas seja muito maior, em torno de 30.000.

González e Salvia foram incluídos em uma lista de dezesseis agentes repressores acusados de crimes contra a humanidade divulgada em 2009 e pelos quais o governo argentino oferece recompensas. Entre os crimes atribuídos a Roberto Óscar González está o assassinato do jornalista Rodolfo Walsh, em 1977.

(Da redação)

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