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Ex-guerrilheiros maoístas continuam sonhando com revolução no Nepal

Por Da Redação
3 ago 2012, 10h27

Manesh Shrestha.

Katmandu, 3 ago (EFE).- Apesar de a maioria dos antigos guerrilheiros maoístas do Nepal estar integrada à sociedade civil, muitos ainda sonham com uma revolução que ponha fim à desigualdade e ao feudalismo no país.

‘Enquanto estiver vivo estarei envolvido com o partido (maoísta)’, diz à Agência Efe o ex-combatente Dhananjaya Adhikari, ressaltando ainda crer na vitória comunista no Nepal, entretanto afirma que não a verá em vida.

Adhikari passou 12 dos seus 35 anos empunhando armas e lembra com melancolia algumas das ‘conquistas’ da luta como o fim da monarquia, a secularização do país e a política de representação popular.

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‘Temos que continuar lutando para conseguir pequenas vitórias’, afirmou.

Hoje, seis anos depois da assinatura do acordo de paz no país, administra um cybercafé que adquiriu com uma indenização pela retirada voluntária aprovada pelo Governo entre 500 mil e 800 mil rúpias (US$ 6 mil e US$ 9.500), de acordo com a categoria do guerrilheiro.

‘Os termos para a integração (nas forças armadas) não eram aceitáveis. Era como um recrutamento’, opina Adhikari.

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Com apenas 26 anos, a vida de Prakash Sharma, como a de Adikhari, também está cheia de marcas da guerra civil, que causou a morte de 16 mil pessoas em uma década.

Longe das armas, agora é proprietário de uma modesta mercearia nos arredores de Katmandu e também trabalha em tempo parcial no sindicato dos transportadores do Partido Maoísta.

Sharma acredita que a maioria de seus companheiros se integraria ao Exército nepalês, caso as condições oferecidas fossem boas.

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Mas não eram, segundo sua opinião, então decidiu, como muitos outros, pelo pacote econômico de retirada voluntária.

De fato, apenas 3.100 rebeldes escolheram ingressar nas forças armadas nepalesas, ou seja, um sexto dos combatentes que iniciaram uma longa peregrinação pelos acampamentos supervisionados pela ONU após o acordo de paz de 2006.

O processo de reintegração dos guerrilheiros foi salpicado por tantas dificuldades e se arrastou por tanto tempo que inclusive o supervisor da organização multilateral deixou o Nepal antes que as decisões do Governo fossem implementadas.

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‘Enquanto estive na guerrilha completei o ensino médio, no entanto minha titulação (requerida para entrar no Exército) foi contestada’, critica Sharma, como exemplo.

Seu vínculo com o Partido Comunista data de 1996, quando era apenas um garoto, ano no qual presenciou a revolta popular ocorrida em sua aldeia no centro do país contra um senhor feudal, que acabou com a morte de um policial.

Seu pai, que era professor, foi processado pelo incidente e posteriormente preso durante quatro anos, uma circunstância que fez com que ‘crescesse o apoio’ em relação aos maoístas na população.

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Aos dez anos, Sharma entrou na unidade infantil dos maoístas e com 17 se tornou militante em tempo integral, deixou sua aldeia e se juntou à guerrilha.

Na guerra civil viu muitos episódios violentos, mas também conheceu sua atual esposa, Akriti Tamang, de 24 anos, com quem lutou lado a lado.

Sharma e Tamang se casaram há cinco anos no acampamento da ONU em que ficaram após o fim do conflito, o mesmo em que, posteriormente, nasceu seu filho.

Assim como Sharma, a tímida Tamang queria ‘lutar contra a opressão da Polícia’ e preferia ter-se integrado ao Exército nepalês, mas como também não gostou das condições oferecidas, hoje trabalha com seu marido na mercearia.

Apesar do partido não passar por seu melhor momento – incapaz de elaborar uma nova Constituição, afetado por casos de corrupção e acusado de se afastar do povo -, gente como Adhikari, Sharma e Tamang afirmam continuar comprometidos com seus ideais. EFE

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