Europa acusa Kremlin por morte de Navalny e Reino Unido avalia novas sanções contra Moscou
Substância rara de rãs venenosas da América do Sul, teria sido usada no envenenamento do principal opositor de Putin; Rússia nega
O governo britânico estuda ampliar as sanções contra a Rússia após aliados europeus concluírem que a morte do opositor russo Alexei Navalny provavelmente foi causada por envenenamento deliberado, atribuído ao Estado russo. A acusação, classificada como “profundamente grave” por Yvette Cooper, surge após dois anos de análises e investigações conduzidas por cinco países europeus.
Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Países Baixos anunciaram que exames realizados em amostras do corpo do opositor identificaram a presença de epibatidina — uma toxina extremamente potente produzida por rãs venenosas encontradas na América do Sul. Segundo os governos envolvidos, a substância não existe naturalmente na Rússia e dificilmente poderia ter sido ingerida de forma acidental, o que reforçaria a hipótese de assassinato.
Navalny morreu em 2024 em uma colônia penal na Sibéria, onde cumpria pena após uma série de condenações consideradas politicamente motivadas por organizações internacionais. Para Cooper, apenas o regime russo teria “meios, motivação e oportunidade” para administrar o veneno enquanto o opositor estava sob custódia estatal.
Os cinco países europeus levaram o caso à Organização para a Proibição de Armas Químicas, acusando Moscou de violar convenções internacionais que proíbem o uso de substâncias químicas como arma. A iniciativa pode abrir caminho para novas punições diplomáticas e econômicas coordenadas.
Reação Russa
A Rússia reagiu com veemência. A embaixada russa em Londres negou qualquer responsabilidade e classificou as conclusões ocidentais como “histeria midiática” e “propaganda necrológica”. Em nota, diplomatas russos ironizaram a hipótese do veneno derivado de rãs, questionando se a acusação não seria apenas mais um episódio semelhante ao caso Sergei Skripal, envenenado no Reino Unido em 2018 — episódio também atribuído ao Kremlin por governos ocidentais.
Apesar de não participar diretamente do relatório europeu, os Estados Unidos sinalizaram que não veem motivos para contestar as conclusões. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o documento é “preocupante”, mas ressaltou que a investigação foi conduzida de forma independente pelos países europeus.
No campo político britânico, o caso reacendeu alertas sobre a segurança continental. A ex-ministra conservadora Priti Patel falou em um “eixo de autoritarismo” formado por Rússia, China, Coreia do Norte e Irã, defendendo maior cooperação entre Europa e Estados Unidos diante das ameaças globais.
Para o governo britânico, o episódio simboliza o fim das expectativas de estabilidade pós-Guerra Fria. “A paz que acreditávamos ter conquistado desapareceu”, afirmou Cooper, ao defender que a Europa precisa se preparar para uma postura russa cada vez mais agressiva — especialmente no momento em que se aproxima o quarto ano da invasão da Ucrânia.
Antes de morrer, Navalny costumava repetir que “a verdade era a arma mais poderosa contra regimes autoritários”. Agora, seu nome volta ao centro de uma disputa geopolítica que promete prolongar o isolamento internacional de Moscou.





