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EUA integram Cúpula da Ásia Oriental desafiando a China

Por Por Anwar Faruqi 15 nov 2011, 09h57

Os Estados Unidos, com Barack Obama à frente, participarão no sábado na Indonésia da Cúpula da Ásia Oriental, que reúne os gigantes do continente, em uma tentativa de contrabalançar a influência da China e tranquilizar os seus aliados sobre o papel de Washington na região.

Com status de observador até agora, os Estados Unidos entrarão oficialmente, junto com a Rússia, na Cúpula da Ásia Oriental (EAS, em inglês), fazendo com que o número de membros permanentes da organização chegue a 18.

A EAS reúne até o momento China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália e Nova Zelândia, junto aos dez países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que realizará sua cúpula anual a partir de quinta-feira, também na ilha indonésia de Bali.

Para alguns países em conflito com Pequim por divergências territoriais, a participação americana na EAS é um forte sinal enviado à China.

“Conscientemente, não se convida alguém para se opor a quem quer que seja. Mas, em resumo, é o que ocorre”, afirma o secretário-geral da ASEAN, Surin Pitsuwan.

Vietnã, Filipinas e Taiwan enfrentam as autoridades chinesas por divergências sobre a soberania das ilhas do mar da China, rico em hidrocarbonetos, sobretudo em relação ao arquipélago de Spratly, que Pequim considera parte de seu território.

A China rejeita qualquer ingerência em seus assuntos e opta por negociações bilaterais nas quais pode influenciar como segunda maior potência econômica mundial.

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“Em sua imensa maioria, os países asiáticos sabem que se beneficiam do crescimento econômico da China, mas também há preocupações (…) relacionadas a sua expansão política e militar”, explica Tim Huxley, diretor do gabinete de Cingapura do International Institute of Strategic Studies.

Neste contexto, Obama fará uma parada na Austrália antes de ir para a EAS, para anunciar a instalação permanente de um corpo de fuzileiros navais no norte do país. Na região, os Estados Unidos já têm bases no Japão, na Coreia do Sul e na ilha de Guam.

Mas, para além de seu cabo de guerra, Estados Unidos e China têm interesses convergentes e prioritários no âmbito econômico que tornam improvável um conflito direto, afirma Richard Cronin, do grupo de reflexão americano Stimson Center.

“Estados Unidos e China continuam sendo interdependentes economicamente”, considera.

Obama, que lançou no domingo no Havaí seu projeto de criação da maior zona de livre-comércio mundial, a Associação Transpacífico, insistiu na importância da região para os Estados Unidos diante do fantasma da recessão.

Para Geoffrey Garrett, diretor do centro de estudos americanos na Universidade de Sidney, Washington aplica uma estratégia dupla.

Primeiro tem que “consolidar suas alianças e amizades na região, como garantia, caso o espetacular crescimento da China, até o momento pacífico, mude de natureza”. Mas Washington também deve “construir uma arquitetura econômica regional (…) à qual a China pode se ver tentada a se juntar”, acrescenta o especialista.

As cúpulas da ASEAN e da EAS também abordarão outros temas, como o caso de Mianmar, que fará campanha para presidir um destes encontros em 2014 para tentar demonstrar o caráter sincero de suas reformas democráticas.

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